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Dados do Trabalho


TÍTULO

RELAÇAO ENTRE MORCEGOS E ECTOPARASITOS (DIPTERA) EM DUAS AREAS DE SERGIPE: UMA ABORDAGEM DE REDES ECOLOGICAS

Resumo

As redes de interação auxiliam na compreensão de como a relação parasito-hospedeiro está estruturada, além de trazer informações sobre a importância e o papel das espécies na comunidade. Esse trabalho teve como objetivos avaliar o padrão de rede de interação entre morcegos e ectoparasitos e determinar a espécie de morcego mais central nessa estruturação. Os dados foram coletados em duas áreas de Sergipe: Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco/RVSMJ, localizado em Capela, um fragmento de Mata Atlântica; e RPPN do Caju, localizada em Itaporanga d’Ajuda, uma área de restinga. No RVSMJ, a coleta ocorreu de janeiro/2014 a junho/2015 e na RPPN do Caju, de outubro/2016 a setembro/2017. Para determinar a topologia da rede, foi gerada uma rede de interação para cada local e calculada a conectância no software PAJEK. O aninhamento foi calculado pela métrica NODF no programa “Aninhado” e a modularidade calculada no programa “Modular”. Para determinar qual espécie de morcego desempenha um papel central na estruturação dessas interações, foi calculado o grau relativo, centralidade de proximidade e centralidade por intermédio para cada área. A rede de interação do RVSMJ foi composta por 10 espécies de morcegos e 13 de ectoparasitos. Apresentou baixa conectância (0,16) e baixo aninhamento (NODF=19,19), não diferindo do modelo nulo (p=0,61). A modularidade foi intermediária (0,60), com formação de seis módulos, também não diferindo do modelo nulo (p=0,2). O grau relativo (0,2 a 1,0), a centralidade de proximidade (0,0 a 0,8) e a centralidade por intermédio (0,0 a 0,3) apresentaram variação. A espécie de morcego mais central foi Carollia perspicillata. Para a RPPN do Caju, a rede foi composta por 11 espécies de morcegos e 14 de ectoparasitos. Apresentou baixa conectância (0,12) e baixo aninhamento (NODF=14,38), não diferindo do modelo nulo (p=0,97). A modularidade foi mais elevada que na rede anterior (0,75), com formação de sete módulos, diferindo do esperado ao acaso (p=0,03). O grau relativo (0,3 a 1,0), a centralidade de proximidade (0,0 a 0,3) e a centralidade por intermédio (0,0 a 0,08) apresentaram variação. A espécie de morcego mais central foi Artibeus lituratus. Apenas 16 e 12% do total de interações possíveis foram registradas para o RVSMJ e RPPN do Caju, respectivamente, revelando baixa conectância. Interações como o parasitismo geralmente apresentam estrutura modular, podendo estar associadas à história evolutiva e alto índice de especificidade dessas interações. Tal padrão foi encontrado apenas para a RPPN do Caju. Com base nas métricas de centralidade foi possível observar que algumas espécies que ocorreram em ambas as redes variaram de central a periférica. O padrão de interação local pode atuar na determinação da centralidade, onde parte dessa variação poderia estar relacionada a abundância das espécies. Assim, algumas espécies de morcegos podem não ser igualmente importantes para a manutenção dessas interações nas redes que ocorrem. Considerando a importância dos ectoparasitos para a manutenção da comunidade hospedeira, entender a estruturação da rede e o papel do hospedeiro na sustentação dessas interações tornam-se essencial para o conhecimento sobre sua ecologia e dinâmica populacional.

Palavras-chave

Chiroptera, espécie-chave, modularidade, parasitismo.

Financiamento

FAPITEC/SE

Área

Ecologia

Autores

Rayanna Hellem Santos Bezerra, Adriana Bocchiglieri