X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

AREA DE VIDA, ATIVIDADE E SELEÇAO DE HABITAT POR CAPIVARAS (HYDROCHOERUS HYDROCHAERIS) EM UM GRANDE CENTRO URBANO

Resumo

A vida silvestre está cada vez mais pressionada ao convívio humano devido à crescente expansão das cidades. Os animais são muitas vezes forçados a viver em fragmentos que apresentam alto grau de alteração antrópica. Se por um lado, a presença desses animais permite que as pessoas mantenham uma conexão com a natureza, propiciando o bem estar, por outro, há conflitos como acidentes de trânsito e aumento na transmissão de doenças. Aqui nós estudamos a área de vida e a seleção de habitat de capivaras que vivem em fragmentos florestais no município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil e comparamos com áreas naturais. Hipotetizamos que o tamanho das áreas de vida das capivaras estudadas seria menor do que as de ambiente natural. Também hipotetizamos que os animais selecionariam diferentes tipos de habitat para cobrir diferentes necessidades ao longo do dia. Em quatro áreas urbanas, capturamos e monitoramos, com colar de rastreamento GPS, 15 capivaras adultas pertencentes a oito grupos sociais entre Dezembro de 2016 e Novembro de 2017. O habitat de cada área foi classificado em quatro categorias: pastagem, floresta, corpos d'água e áreas urbanas (e.g. áreas pavimentadas e edifícios). As áreas de vida foram estimadas através do Kernel convencional e Kernel Brownian Bridge (isolinha de probabilidade de 95%) e Mínimo Polígono Convexo (MCP com 95% dos pontos) e o resultado obtido foi comparado com as áreas de vida em ambientes naturais, através de artigos encontrados em base de dados. Para descrever a flutuação diária de atividade, usamos a distância euclidiana entre as localizações em cada hora do dia. Por fim, estimamos a força de seleção para os quatro tipos de habitats, usando ‘Step Selection Functions’, que incorpora explicitamente o processo de movimentação dos animais. Os indivíduos apresentaram áreas de vida com sobreposição individual maior que 88%, sendo a média das áreas de vida de 35.8ha (MCP), 32.28ha (Kernel) e 30.22 (Kernel Brownian Bridge). Ao contrário de nossas expectativas, as áreas de vida das capivaras estudadas foram  maiores do que aquelas estimadas em ambientes naturais, discordando do padrão geral de redução do movimento de mamíferos em locais com grande influência humana. Isso de deu, provavelmente, devido a abundância e o fácil acesso à gramados livres de predadores. Capivaras tiveram maiores deslocamentos no crepúsculo e a noite. A floresta e corpos de água foram selecionados mais intensamente do que as áreas abertas no início da manhã até o meio da tarde e evitados do meio da tarde à meia-noite, momento em que as áreas abertas foram selecionadas. As áreas urbanas foram evitadas independentemente da hora do dia, mas menos intensamente a noite, concordando com o padrão descrito em ambientes naturais. A presença de parques urbanos com gramados, áreas de floresta e corpos d'água podem contribuir para o sucesso das populações estudadas, destacando a importância da proximidade e interação entre diferentes tipos de habitats no uso do espaço de capivaras.

Palavras-chave

ecologia do movimento; uso espaço; mosaico de habitat; mamíferos sociais; Rodentia

Financiamento

Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (FUNDECT)

Área

Ecologia

Autores

Samara Serra Medeiros, Zaida Ortega Diago, Ana Carolina França Balbino Balbino- Silva, Pâmela Castro Antunes, Heitor Miraglia Herrera, Gabriel Carvalho Macedo, Wanessa Texeira Gomes Barreto, Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira-Santos