X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

USO DA MORFOLOGIA DO PENIS PARA DISTINGUIR DUAS ESPECIES CRIPTICAS DO GENERO AKODON (RODENTIA, SIGMODONTINAE)

Resumo

A morfologia fálica é utilizada na diagnose e diferenciação geográfica de espécies, considerada  fonte valiosa de informação sobre a diversificação das espécies. As espécies de roedores sul-americanos Akodon cursor (Winge, 1887) e A. montensis (Thomas, 1913) são irmãs, crípticas e distintas por seus cariótipos exclusivos. Híbridos interespecíficos coletados na natureza e gerados em cativeiro apresentam cariótipos intermediários e a morfologia indistinta dos parentais. Nesse estudo pretende-se avaliar se características qualitativas morfológicas da glande podem caracterizar/distinguir A. cursor (ACU) e A. montensis (AMO), assim como descrever o padrão dos híbridos. Foram analisados os falos de 93 adultos, sendo 52 de A. cursor, 28 de A. montensis e 13 híbridos. As fotos foram tomadas por um sistema de imagens em foco estendido GT-Vision e a partir delas foram analisados oito caracteres discretos qualitativos: forma dos espinhos; espaçamento entre espinhos; tamanho relativo e profundidade da ranhura dorsal; presença da ranhura ventral; comprimento relativo, forma e presença de manchas na glande. O Software Past3.0 (Paleontological Statistic) foi utilizado para as análises de Classical Clustering (CC) com o intuito de verificar como os indivíduos podem ser agrupados por similaridade, e do SIMPER (Similarity Percentage) para inferir quais características contribuem mais para diferenciar os indivíduos. Ventralmente, AMO e ACU variaram de ausência da ranhura, até a presença de ranhura única com incisão profunda e curta a partir do ápice do pênis. A glande apresentou forma levemente alongada longitudinalmente, com uma região abaulada da porção média até o ápice da glande (em ACU) ou formato característico de barril, com base e ápice da glande com largura menor que a porção mediana (em AMO). A glande é coberta de espinhos em ambas espécies, robustos e longos na base da glande, tornando-se delgados e longos até o ápice atingindo a forma mais afilada (em ACU) ou curtos e robustos na base da glande, sendo eles mais robustos e mais afilados no ápice da glande (em AMO). AMO foi o único grupo que apresentou manchas negras na região ventral da glande, variando de pequenas pintas agrupadas até uma mancha negra cobrindo três quartos da glande. A ranhura dorsal é mais profunda em AMO que em ACU, variando de comprimento em ambas as espécies. Nos híbridos, a glande  apresentou formato cilíndrico similar a AMO, porém com o ápice abaulado similar a ACU. Por outro lado, os espinhos e as ranhuras dorsal e ventral variaram indivíduo-a-indivíduo, intercalando as características dos parentais. A análise CC separou os grupos ACU e AMO, com híbridos inseridos ora em AMO (30,77%) ora em ACU (69,23%). Resultados do SIMPER mostraram que as variáveis mais contribuintes para a distinção dos grupos foram Ranhura Ventral (19,99%), Presença de Mancha (15,78%), Profundidade Ranhura Dorsal (10,05%) e Tamanho Ranhura Dorsal (8,63%). Nossos dados revelam-se como uma ferramenta taxonômica importante na distinção das espécies Akodon cursor e A. montensis a partir da morfologia da glande.

Palavras-chave

Akodon. Morfologia. Pênis. Variabilidade. Espécies crípticas 

Financiamento

Universidade Federal do Espírito Santo

Área

Evolução

Autores

Leonardo Campana, Valéria Fagundes, Roberta Paresque