X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


TÍTULO

CAPACIDADE ANTIOXIDANTE DO TECIDO RENAL DE MORCEGOS HEMATOFAGOS (DESMODUS ROTUNDUS) E FRUGIVOROS (ARTIBEUS LITURATUS)

Resumo

Desmodus rotundus, o morcego vampiro comum, alimenta-se exclusivamente de sangue de bovinos (94% proteína), portanto sua dieta é considerada uma dieta hiperproteica (HP). Dietas HP são consideradas como indutoras de maior produção de espécies reativas de oxigênio (EROs), e possibilitam a investigação do desequilíbrio entre as EROS e as defesas antioxidantes. A dieta de sangue é rica em ferro e, quando concentrado pode se acumular nos órgãos levando à perda de sua função normal. A espécie Artibeus lituratus apresenta hábitos alimentares variados, e em termos metabólicos, esses morcegos possuem uma dieta rica em carboidratos (HC), que provê para o organismo vitaminas, carotenoides e flavonoides vindos das frutas e infrutescências. Esses compostos possuem uma grande capacidade antioxidante, e auxiliam na defesa do organismo por meio da ação de enzimas e mecanismos não enzimáticos, com a finalidade de reduzir possíveis danos celulares causados pelo aumento na produção de EROs nas células. O objetivo desse estudo foi analisar a capacidade antioxidante do tecido renal de D. rotundus e A. lituratus para investigar a importância desses mecanismos na manutenção das condições fisiológicas ideais para a homeostasia energética destas espécies. Para isso, machos adultos (N=8 de cada espécie), foram coletados na Zona da Mata Mineira, eutanasiados e tiveram os rins retirados, mantidos a -80ºC e destinados às análises da capacidade antioxidante. Após procedimento de rotina para preparação das amostras, o sobrenadante foi utilizado para a determinação da atividade das enzimas Superóxido Dismutase (SOD), Catalase (CAT) e Glutationa-S-Transferase (GST), dos níveis de Malondialdeído (MDA), Óxido Nítrico (ON), e Proteína Carbonilada (CP), além da análise das concentrações de Peróxido de Hidrogênio (H202) e Proteína Total (PT). Os dados obtidos foram submetidos ao teste t no software GraphPad Prism 6.0. As enzimas SOD e CAT apresentaram maior atividade nos rins de A. lituratus, e a GST em D. rotundus. Os níveis de ON foram maiores para a espécie frugívora. Em contrapartida, os níveis de MDA foram maiores para a espécie hematófaga, e não houve diferença para PC e H2O2 entre as duas espécies. As atividades da SOD e CAT são importantes mecanismos de defesa contra efeitos tóxicos de EROs. Assim, os resultados sugerem que os indivíduos de A. lituratus estão ingerindo compostos potencialmente geradores de EROs em seu hábitat natural, possivelmente frutas e água contendo contaminantes ambientais, como pesticidas. O aumento do ON sugere maior síntese de radical superóxido, com consequente indução de alterações nas enzimas antioxidantes na mesma espécie. A ação aumentada de GST para D. rotundus sugere que esses animais excretam moléculas tóxicas com mais facilidade, uma vez que essa enzima torna as moléculas mais solúveis em água. Os altos níveis de MDA na espécie hematófaga mostram que esses animais utilizam esse mecanismo para garantir as funções adequadas das proteínas dentro das células. Assim, concluímos que ambas as espécies necessitam de mecanismos enzimáticos e não-enzimáticos para lidar com os desafios impostos pelas dietas, por naturalmente ingerir compostos que podem alterar as condições fisiológicas ideais para o metabolismo energético dos indivíduos.

Palavras-chave

Palavras-chave: dieta, enzimas, estresse oxidativo, rins

Financiamento

CAPES, CNPq, FAPEMIG

Área

Fisiologia

Autores

Bárbara Silva Linhares, Renata Maria Freitas, Ana Luiza Fonseca Destro, Palloma Porto Almeida, Jerusa Maria Oliveira, Mariella Bontempo Freitas