X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

As áreas mais badaladas para estudo da mastofauna no Corredor Central da Mata Atlântica

Resumo

O Corredor Central da Mata Atlântica (CCMA) é uma área prioritária para conservação e se estende desde o sul do recôncavo baiano até o sul do Espírito Santo. O CCMA abrange dois centros de endemismo da Mata Atlântica (Rio Doce e Bahia) e é uma das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta. Entretanto, o conhecimento a respeito das ocorrências dos mamíferos na região está restrito somente a algumas áreas. Para compreender melhor a situação das áreas mais estudadas e das lacunas de conhecimento, fizemos um estudo sistemático sobre o esforço de coleta e a riqueza de espécies de mamíferos ao longo do CCMA. Para isso, reunimos informações sobre os registros de ocorrência de mamíferos em um banco de dados digital, tendo como base de dados publicados ou associados a espécimes tombados em coleções científicas. Esses registros foram inseridos em um mapa georreferenciado do CCMA utilizando o programa ArcGis (versão 10.1). Para identificar as áreas onde ocorreu o maior número de levantamentos e as áreas com elevada riqueza de espécies de mamíferos, utilizamos o programa DIVA versão 5.0. Para as análises espaciais, dividimos a área do CCMA em uma grade com células de 0,3 grau, utilizadas como unidades amostrais. Como resultado, geramos um banco de dados com 8142 registros e 224 espécies de mamíferos silvestres que ocorrem no CCMA, que inclui espécies ameaçadas de extinção (ex. Panthera onca), espécies endêmicas da Mata Atlântica (ex. Callithrix geoffroyi), e algumas possivelmente extintas regionalmente (ex. Pteronura brasiliensis e Trichechus manatus), como observado em nossas análises temporais. Além disso, verificamos a ocorrência de espécies típicas do Cerrado (ex: Chrysocyon brachyurus e Cerradomys subflavus). O CCMA possui grandes regiões consideradas lacunas de conhecimento devido ao pouco esforço de coleta.  Essas regiões, onde o conhecimento da fauna de mamíferos é mais limitado, são o Noroeste do Espírito Santo, o extremo do Sul da Bahia e o Norte do Corredor Central. Por outro lado, os hotspots  de levantamentos da mastofauna estão relacionadas à algumas Unidades de Conservação. Áreas com grande esforço de levantamento também apresentaram alta riqueza de espécies (ex.: Reserva Biológica de Una), no entanto, mesmo algumas áreas com esforço amostral menor também apresentaram grande riqueza de espécies (ex.: Parque Nacional do Caparaó). Regiões com alta riqueza e pouco esforço amostral mostram que muitos lugares têm potencial de riqueza de mamíferos ainda a ser explorados. Este estudo também deixa claro que a riqueza de espécies de mamíferos está relacionada, direta ou indiretamente, com a presença de Unidades de Conservação, o que mostra a importância dessas áreas para a conservação da mastofauna, seja porque são os últimos refúgios de biodiversidade ou porque são onde os investimentos em pesquisa são mais direcionados.

Palavras-chave

Mammalia, lacuna de conhecimento, hotspot de conhecimento, riqueza de espécies.

Financiamento

Agradecimento:

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela bolsa concedida à DOM.

Área

Biologia da Conservação

Autores

Inês Motta Comarella, Danielle de Oliveira Moreira