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Dados do Trabalho


TÍTULO

LEVANTAMENTO DE PEQUENOS MAMÍFEROS NÃO-VOADORES DA ESTAÇÃO ECOLÓGICA ÁGUA LIMPA, CATAGUASES (MINAS GERAIS)

Resumo

A Estação Ecológica Água Limpa (EEAL) é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, localizada no município de Cataguases, cidade da porção sudeste de Minas Gerais, próxima à divisa com os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. A EEAL protege um dos poucos remanescentes de Mata Atlântica da região. Há uma grande carência de informações sobre a composição da fauna de mamíferos nos remanescentes dessa região, sendo que ainda não existe inventário de pequenos mamíferos da EEAL. Desta forma, o objetivo deste estudo foi inventariar os pequenos mamíferos não-voadores dessa UC, fornecendo dados importantes para a elaboração de medidas mais efetivas para a conservação e manejo da UC. As campanhas de amostragem foram realizadas ao longo de 10 meses (2018-2019), cada uma com duração de seis noites, utilizando armadilhas de interceptação e queda do tipo pitfall e armadilhas de captura viva dos tipos Sherman e Tomahawk. Foram amostradas sete áreas dentro da UC. O método e frequência de amostragem variou entre as áreas. Em cinco áreas foram instaladas armadilhas do tipo pitfall dispostas em um transecto linear com seis baldes de 100 L distantes 10 m entre si, interligados por uma cerca-guia de lona plástica de 50 cm de altura. A amostragem por este método foi mensal. Em quatro dessas cinco áreas, foi instalado bimestralmente um transecto linear com 10 pontos equidistantes 5 m entre si e paralelos a linha de pitfalls. Cada ponto teve uma armadilha do tipo Sherman e uma Tomahawk, intercalando os tipos entre solo e sub-bosque. Duas áreas foram amostradas apenas bimestralmente e exclusivamente com armadilhas Sherman e Tomahawk. Nesse caso, cada transecto foi composto de 20 pontos. O esforço amostral total foi de 4800 armadilhas/noite para armadilhas convencionais e 1800 armadilhas/noite para pitfalls. Foram coletados cinco espécimes testemunho de cada espécie, os demais indivíduos foram marcados com brinco numerado e soltos no local de captura. Foram realizadas 186 capturas (2,81% de sucesso de captura) de 137 indivíduos pertencentes a nove espécies, sendo seis espécies da Ordem Rodentia, famílias Cricetidae e Echymidae e três da Ordem Didelphimorphia, família Didelphidae. As espécies registradas foram: Rodentia: Akodon cursor, Calomys tener Necromys lasiurus, Oecomys catherinae, Oligoryzomys nigripes e Phyllomys sp.; Didelphimorphia: Didelphis aurita, Gracilinanus microtarsus e Monodelphis americana. A riqueza média das áreas foi de 4,71 (desvio padrão de 1,60) com mínimo de duas espécies e máximo de seis em cada área. A área de estudo sofreu alterações antrópicas até o período de seu reflorestamento, quando as medidas de proteção e conservação começaram. Ainda assim, foram registradas espécies estritamente florestais e endêmicas da Mata Atlântica como Oecomys catherinae e Phyllomys sp., reforçando a importância dessa UC para a conservação de mamíferos da Mata Atlântica.

Palavras-chave

Inventário; roedores, marsupiais; floresta estacional submontana

Financiamento

Área

Inventário de Espécies

Autores

Ian Moreira Souza, Caryne Braga, Pablo Rodrigues Gonçalves, Ana Carolina Calijorne Lourenço