X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

COMUNIDADE DE MAMIFEROS DE MEDIO E GRANDE PORTE EM UM REMANESCENTE DE CERRADO NO SUDOESTE DE MATO GROSSO DO SUL, BRASIL

Resumo

A perda e fragmentação de habitats representam uma das maiores ameaças às espécies de mamíferos. Essas ações, em sua maioria antrópicas, provocam mudanças na paisagem que diminuem a área natural, a conectividade e aumenta o número dos fragmentos e o efeito de borda. Conhecer quais e quantas espécies habitam remanescentes antropizados pode indicar seus requerimentos mínimos de sobrevivência, contribuindo para sua conservação. O objetivo desse estudo foi inventariar a composição e riqueza da comunidade de mamíferos de médio e grande porte em uma paisagem fragmentada no sudeste do estado de Mato Grosso do Sul. A área de estudo foi a Fazenda Dona Amélia no município de Nova Andradina-MS com área total de 4.600 ha, sendo 1.135 ha de reserva legal e matas ciliares. A propriedade encontra-se no limite de distribuição do Cerrado (sudeste de Mato Grosso do Sul e da Mata Atlântica do Rio Paraná, em seu limite oeste). Nove armadilhas fotográficas foram distribuídas aleatoriamente (a cada 600m) em 5 fragmentos florestais (7, 9, 29, 74 e 961 ha ) e nas duas áreas de mata ciliar, entre outubro de 2014 a dezembro de 2016 e oito entre julho de 2017 e outubro de 2018. Os mamíferos foram identificados ao menor nível taxonômico para cada espécie. Como critério para individualização dos registros de uma mesma espécie foi adotado o intervalo de uma hora entre uma foto e outra. O esforço de 8.998 câmeras-dias resultou em 23.611 registros de três espécies domésticas, uma exótica e 26 silvestres (Didelphis albiventris, Dasypus novemcinctus, Euphractus sexcinctus, Priodontes maximus, Myrmecophaga tridactyla, Tamandua tetradactyla, Sapajus cay, Hydrochoerus hydrochaeris, Dasyprocta azarae, Sylvilagus brasiliensis, Leopardus pardalis, Leopardus guttulus, Puma concolor, Puma yagouaroundi, Panthera onca, Cerdocyon thous, Chrysocyon brachyurus, Lycalopex vetulus, Speothos venaticus, Eira barbara, Procyonidae,  Nasua nasua, Procyon cancrivorus, Tapirus terrestres, Pecari tajacu, Mazama americanaMazama gouazoubira) distribuídas em nove ordens e 14 famílias. A ordem Carnívora apresentou a maior riqueza correspondendo a 46,15% das espécies registradas na área de estudo, seguida das ordens Cingulata (11,53%) e Artiodactyla (11,53%). A família mais representativa foi Felidae (5 ssp). Sete das espécies mais abundantes equivalem a 82,51% dos registros, dentre elas, T. terrestres (49,75%) e P. tajacu (14,63%) sendo responsáveis por 64,38% dos registros independentes. A riqueza de mamíferos de médio e grande porte registrada nesse estudo representam 55,31% das espécies do estado de Mato Grosso do Sul. Doze dessas espécies se encontram listadas em alguma categoria de ameaça representando 60% das espécies ameaçadas no estado. A expressiva riqueza de carnívoros (12 ssp) é de extrema importância, pois são considerados animais topo de cadeia alimentar influenciando na dinâmica e integridade da comunidade local. O registro do cachorro doméstico parece estar relacionado à caça do javali ou ainda de espécies cinegéticas no entorno. A presença de diversas espécies, inclusive as consideradas raras e/ou ameaçadas (p.ex., tatu-canastra e cachorro-vinagre), demonstra que a área, apesar de fragmentada e altamente perturbada, apresenta condições ambientais e disponibilidade de recursos para manter um elevado número de espécies com diferentes aspectos ecológicos.

Palavras-chave

Fragmentação, Cerrado, riqueza e composição, conservação da biodiversidade.

Financiamento

Agradecemos aos proprietários da Fazenda Dona Amélia por todo suporte e autorização envolvidos nas amostragens e Urbieta, G.L. agradece a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba pela bolsa de doutorado concecida (FAPESQ - Termo nº 518/18). 

Área

Inventário de Espécies

Autores

Anderson Correa Branco, Gustavo Lima Urbieta, Marcelo Oscar Bordignon