X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

PEQUENOS MAMIFEROS EM AREA DE RESTINGA NO NORDESTE DO BRASIL

Resumo

As restingas, ecossistemas costeiros associados à Mata Atlântica, são afetadas por diversos impactos relacionados às atividades antrópicas no litoral brasileiro. Esses ecossistemas são uma extensão importante do bioma por apresentarem condições ambientais particulares, podendo contribuir para a variabilidade das espécies. Embora seja pouco conhecida, sobretudo no nordeste do país, a mastofauna que ocorre nas áreas de restinga parece corresponder a um subconjunto da que ocorre na Floresta Atlântica adjacente. Nesse sentido, o presente estudo caracteriza a estrutura da comunidade de mamíferos de pequeno porte em uma fitofisionomia de restinga arbórea no estado de Sergipe, nordeste do Brasil. A amostragem foi realizada no interior da Reserva Biológica de Santa Isabel, Unidade de Conservação federal localizada no nordeste do estado, entre setembro de 2017 e agosto de 2018. Através de captura-marcação-recaptura, mensalmente, três sítios foram amostrados durante três dias seguidos com a utilização de 82 armadilhas Sherman e 18 pitfalls (22l) por sítio. A avaliação da suficiência amostral foi realizada de acordo com a construção de curvas de riqueza, utilizando o estimador não-paramétrico Jackknife 1. O esforço de 8.118 armadilhas-noite com Shermans, somado a 1.782 armadilhas-noite com pitfalls, resultou na captura de 120 indivíduos pertencentes a dez espécies, sendo quatro marsupiais (Marmosops incanus, Marmosa murina, Marmosa demerarae e Didelphis albiventris) e seis roedores (Rhipidomys mastacalis, Cerradomys vivoi, Calomys sp., Oligoryzomys sp., Phyllomys blainvilii e Trinomys sp.). A riqueza observada com o esforço amostral realizado correspondeu a 73% da estimada (13,6 ± 1,5 espécies). Os pitfalls contribuíram pouco para o incremento na abundância e riqueza de pequenos mamíferos, podendo ser reflexo de um baixo número de espécies cursoriais na comunidade e do efeito do tamanho dessas armadilhas. O marsupial M. incanus e o roedor R. mastacalis foram as espécies mais abundantes, correspondendo a cerca de 84% dos indivíduos capturados. A maioria das espécies registradas apresenta uma distribuição que inclui as áreas de Floresta Atlântica do nordeste, mas variações na abundância relativa podem estar relacionadas às diferenças estruturais entre os ambientes. Uma certa plasticidade no que diz respeito a qualidade do habitat requerida pode favorecer a ocupação de áreas de restinga pelas espécies amostradas. Além disso, a composição da comunidade diferiu em relação ao encontrado nas restingas de outras regiões do país tanto em relação à abundância relativa das espécies quanto a ocorrência dos roedores C. vivoi e P. blainvilii. Destaca-se o registro inédito de P. blainvilii para Sergipe, sendo sugerido mais estudos sobre a taxonomia do grupo na região nordeste. Por fim, a localidade apresentou a maior riqueza de pequenos mamíferos já registrada em áreas de Mata Atlântica do estado, o que reforça a importância da preservação dessas áreas e contribui para o entendimento sobre a mastofauna que ocorre em áreas de restinga do nordeste brasileiro.

Palavras-chave

 Didelphimorphia, litoral, Reserva Biológica de Santa Isabel, Rodentia, Sergipe.

Financiamento

CAPES, FAPITEC, POSGRAP/UFS

Área

Inventário de Espécies

Autores

Joseane de Faria Calazans, Ellen da Costa Malaquias, Adriana Bocchiglieri