X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

MAMIFEROS DE MEDIO E GRANDE PORTE DO SITIO BOM JESUS, MUNICIPIO DE MONTE ALTO, SAO PAULO

Resumo

Remanescentes de vegetação inseridos dentro de áreas modificadas antropicamente, como áreas agrícolas, fazendas e parques urbanos, têm sua biodiversidade negligenciada, pois estudos com esse foco são escassos. Entretanto, essas áreas tem potencial de conectividade e retenção de algumas espécies. Objetivamos estimar a riqueza e composição de mamíferos, de médio e grande porte não voadores, dentro das Áreas de Preservação Permanente (APP) e Uso Restrito (AUR) de uma área modificada. O estudo ocorreu no Sitio Bom Jesus (21°14'20,69" S, 48°32'11,77" O; 38 ha), munícipio de Monte Alto, São Paulo. A área, domínio do bioma Cerrado, é destinada à atividade agrossilvopastoril e mantém 10 ha de vegetação nativa, nascentes e a APP. O declive acentuado, que configura a AUR, é uma particularidade. O entorno é de propriedades agrosilvipastoris entremeadas por uma estrada de acesso de terra. Para realização do estudo usamos duas armadilhas fotográficas Multriecam entre os anos de 2013 e 2017 e seis Bushnell por três meses consecutivos em 2018. As armadilhas foram colocadas nas áreas de remanescentes florestais nativos, com distanciamento entre 400 - 1000 m, localizadas a uma altura de 40 – 60 cm do solo. Observações diretas eventuais também compõem os dados. Consideramos registros independentes de uma mesma espécie aqueles intervalados em 60 minutos. Registramos 16 espécies nativas das famílias Didelphidae, Dasypodidae, Myrmecophagidae, Cebidae, Felidae, Canidae, Mustelidae, Procyonidae, Caviidae e Erethizontidae, e outras cinco exóticas (Suidae, Bovidae, Felidae, Canidae, Leporidae). Dentre as nativas, a ordem Carnivora apresentou maior riqueza, sendo representada por sete espécies, seguida de Cingulata com três, Pilosa e Rodentia com duas cada, Didelphimorphia e Primates com uma cada. Estiveram presentes em todos os anos ou em cinco anos as espécies nativas Didelphis albiventris, Hydrochoerus hydrochaeris, Nasua nasua, Cerdocyon thous, Leopardus pardalis, Puma concolor, Tamandua tetradactyla, Myrmecophaga tridactyla e Dasypus novemcinctus. As mais frequentes foram P. concolor, N. nasua, S. nigritus e M. tridactyla.  Em relação ao status de ameaça de extinção a nível estadual, três espécies constam como vulneráveis (M. tridactyla, L. pardalis, P. concolor), duas quase ameaçadas (Lontra longicaudis e Sapajus nigritus) e uma Dados Deficientes (Cabassous sp). O javaporco (Sus scrofa) foi registrado somente em 2018, as demais espécies exóticas flutuaram entre os anos, exceto pelo cão doméstico, registrado anualmente. O ano de 2018, que amostrou a maior superfície de área por contar com mais armadilhas, registrou o maior número de espécies (18 em 21). Esperávamos encontrar outras espécies frequentes para regiões de remanescentes de Cerrado, como cutia (Dasyprocta azarae) e veado-catingueiro (Mazama gouazoubira), contudo podem existir ali alguns fatores limitantes como o declive, o tamanho da área e a presença de predadores. A ausência de registros de S. nigritus em 2016 e 2017 pode estar relacionado com o surto de febre amarela na região, dentre outras possibilidades. Os resultados contribuem para o conhecimento sobre as comunidades de mamíferos não-voadores de Monte Alto e realçam que remanescentes nativos dentro de áreas modificadas antropicamente podem deter espécies e potencialmente auxiliam na movimentação de indivíduos entre populações.

Palavras-chave

Área de Preservação Permanente;

Cerrado;

Mastofauna;

Zona rural

 

 

Financiamento

Área

Inventário de Espécies

Autores

Anderson Barbosa Alves, Vania Foster, Samuel Maria, Alessandra Bertassoni