X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

ANÁLISE DA ACUIDADE OLFATIVA EM MARSUPIAIS: UMA PROPOSTA EXPERIMENTAL

Resumo

A ordem Didelphimorphia compreende grande parte dos marsupiais americanos viventes, sendo representado por cerca de 100 espécies. A espécie Didelphis albiventris Lund, 1841, uma das mais comuns, dispõe de grande eficiência adaptativa, sendo considerados animais sinantrópicos. Existem poucas ilações sobre a ecologia sensorial no grupo, principalmente olfativa, e essas também carecem de uma confirmação experimental. Por estas razões, este trabalho buscou trazer uma ferramenta de estudo para entender a percepção destes animais a estímulos químicos, evidenciando elementos de sua ecologia sensorial. Neste foi construída uma “arena comportamental” para observar a resposta de dois indivíduos de D. albiventris capturados em um remanescente florestal do município de Pinhais, Paraná, frente a estímulos odoríferos (CEUA-PUCPR no 01075). A arena foi projetada em forma de funil, sendo o começo mais estreito (60 cm) e o final mais largo (2 m), constituída por uma estrutura de madeira (2 m x 2 m). A parte final foi dividida em quatro seções, contendo 50 cm cada. Os estímulos foram pendurados nestes compartimentos, alternando septos de borracha (Sigma-Aldrich 6 mm) impregnados com óleos essenciais comerciais de Citrus sp. ou Piper nigrum e septos de borracha controle (sem cheiro). Os experimentos aconteceram no mesmo local de captura, com duração de 30 minutos para cada arranjo experimental, sendo cada animal testado até três vezes com combinações possíveis de quatro arranjos diferentes (1. Sem cheiro x com cheiro x sem cheiro x com cheiro – Piper nigrum; 2. Sem cheiro x com cheiro x sem cheiro x com cheiro – Citrus sp.; 3. Com cheiro x sem cheiro x com cheiro x sem cheiro – Citrus sp.; 4. Com cheiro x sem cheiro x com cheiro x sem cheiro – Piper nigrum). Para os testes foram seguidas as seguintes etapas: (i) quatro septos de borracha alocados nos compartimentos da arena; (ii) o animal foi solto dentro da arena; (iii) seu comportamento monitorado por uma câmera, por 30 minutos para cada combinação de estímulo, documentando o número de investidas em cada um, os comportamentos apresentados e sua duração; (iv) alocados os outros arranjos e observado os comportamentos; (v) o animal foi retirado pela porta da arena, alimentado e devolvido ao local de captura; (vi) ao final dos testes, procedeu-se a limpeza do recinto com água, prevenindo a interferência no experimento com o próximo indivíduo. Os resultados mostraram que os gambás desta espécie podem ser atraídos pelos cheiros dos óleos essenciais, uma vez que nos diferentes arranjos, os dois indivíduos se mostraram próximos e interessados aos estímulos com cheiro, fazendo movimentos com o focinho e as narinas, evidenciando a busca e exploração do ambiente ou o estímulo. Pode-se considerar que este tipo de experimento pode vir a ser um potencial de avaliação da percepção olfativa desses marsupiais; entretanto pelo baixo número amostral não foi possível fazer uma análise estatística robusta. A replicação deste tipo de experimento irá trazer informações consistentes sobre a acuidade olfativa no grupo e as possíveis especificidades envolvidas nas escolhas.

Palavras-chave

Comportamento, experimentos, gambá, olfato, Didelphis albiventris.

Financiamento

Não possui.

Área

Ecologia

Autores

Andressa Azevedo dos Santos, Gledson Vigiano Bianconi, Lays Cherobim Parolin