X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

PEQUENOS MAMIFEROS NAO-VOADORES DO FRAGMENTO DE FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUA DA UFSCAR – ARARAS

Resumo

Os pequenos mamíferos não-voadores constituem um grupo de importância ecológica, pois atuam como dispersores de sementes, de plântulas e fungos micorrízicos, bem como alguns deles também são conhecidos por serem vetores de zoonoses. Para que seja possível conhecer as interações destes animais com o meio em que vivem é necessário primeiramente realizar inventários sobre as espécies que habitam determinado local, desta maneira também é possível traçar medidas de conservação. A utilização de métodos de captura viva e a combinação de diferentes tipos de armadilha são as técnicas mais empregadas no inventariamento desta fauna. O objetivo deste trabalho foi verificar quais espécies de pequenos mamíferos não-voadores ocorrem ao nível do solo em um fragmento florestal alterado durante as diferentes estações. O trabalho foi realizado durante o período de outubro de 2016 até setembro de 2017 no fragmento alterado de cerca de 12 ha de floresta estacional semidecídua do campus da Universidade Federal de São Carlos – Araras, o qual é rodeado, em sua maior parte por plantios de cana-de-açúcar intercalados com outros cultivos como citrus, soja e milho, além de áreas em processo de restauração florestal. Os animais foram capturados com o uso de 40 armadilhas do tipo Shermman colocadas ao nível do solo e uma linha de 30 metros de lona de 40 centímetros de altura com três armadilhas de queda (Pitfall), iscadas com uma mistura de paçoca com banana. As armadilhas ficaram abertas duas noites consecutivas por mês, somando um esforço de captura de 1032 armadilhas-noite. A identificação foi feita a partir de caracteres externos, utilizando o “Guia dos roedores do Brasil” e “Os marsupiais do Brasil: biologia, ecologia e conservação”. No total 126 indivíduos foram capturados, destes, 43 foram fêmeas e 82 machos, somando um sucesso de captura de 12,21%. Destes, 88 foram roedores de três espécies, e 38 foram marsupiais pertencentes também a três espécies. Entre os roedores, a espécie dominante foi Necromys lasiurus, sendo 53,17% do total de indivíduos capturados, enquanto para os marsupiais foi Gracilinanus microtarsus, correspondendo a 23,02% do total. Também foram capturados os roedores Oligoryzomys nigripes e Cerradomys subflavus, além um espécime não identificado. Outros marsupiais capturados foram Didelphis albiventris e Monodelphis americana. Durante o período chuvoso, 28 indivíduos foram capturados, sendo 22 roedores e quatro marsupiais. Já no período seco houve um crescimento de 267% nas capturas, com 99 indivíduos, sendo 65 roedores e 24 marsupiais. O χ² aplicado indicou diferença significativa no número de capturas entre as estações. O período seco tende a ter uma menor disponibilidade de recursos em relação ao período chuvoso, o que possivelmente favorece as capturas, uma vez que as iscas se tornam um atrativo devido à escassez de alimento na floresta. Conclui-se que apesar da floresta do campus ser alterada, é de extrema importância para algumas espécies de pequenos mamíferos não-voadores, e sendo este o primeiro levantamento destes animais no fragmento, frisa-se a relevância do conhecimento desta fauna para subsidiar medidas de conservação e manejo para a área bem como para os animais.

Palavras-chave

Roedores; Marsupiais; Pequenos mamíferos
 

Financiamento

Área

Inventário de Espécies

Autores

Lucas Loureiro de Almeida, Vlamir José Rocha