X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


TÍTULO

MORCEGOS MOLOSSIDEOS URBANOS SAO MADRUGADORES

Resumo

O rápido crescimento populacional mundial associado à expansão urbana e das áreas agrícolas vem aumentando as pressões sobre as áreas naturais remanescentes. Estas pressões provocammudanças estruturais e diminuição da riqueza de espécies, da diversidade e distribuição animal e vegetal, e do comportamento das espécies animais. Os molossídeos são considerados morcegos com hábitos sinantrópicos, tornando-os bons modelos para avaliar em que aspectos a urbanização pode afetar o seu comportamento. Neste estudo, propusemo-nos a utilizar métodos acústicos para avaliar e comparar a atividade de molossídeos em ambientes urbanos e não-urbanos na Mata Atlântica e Caatinga de Pernambuco. Foram gravados morcegos em Recife e na Reserva Biológica de Saltinho, representando respectivamente o meios urbano e não-urbano da Mata Atlântica, e em Petrolina e no Parque Nacional do Catimbau, representando os ambientes urbano e não-urbano da Caatinga, respectivamente. Entre Dezembro de 2017 e Julho de 2018, os detectores foram configurados para iniciar as gravações 1h antes do pôr-do-sol, gravando por um período de 4h, durante 3 dias em cada um dos ambientes. As gravações foram posteriormente triadas, identificadas e contadas de forma a ser possível a comparação entre os ambientes estudados.

A atividade média dos molossídeos da Mata Atlântica urbana foi a mais baixa de todos os quatro ambientes amostrados (346,3 ±35,2 gravações por amostragem vs. 887,0 ±188,0 na Mata Atlântica não-urbana; 625,0 ±47,0 na Caatinga urbana; e 630,5 ±175,5 na Caatinga não-urbana). Mais além, 75% da atividade em Recife ocorre até 30 minutos após o pôr-do-sol, contra 25% da atividade na Mata Atlântica não-urbana no mesmo período (75% da atividade só são atingidos aos 75 minutos após o pôr-do-sol). Os valores da atividade média em Petrolina e no Catimbau foram semelhantes, mas o padrão de atividade foi diferente: concentrado no começo da noite em Petrolina (25% de atividade até 30 minutos após o pôr-do-sol e 75% até 70 minutos após o pôr-do-sol) e mais homogêneo ao longo das 4h estudadas no Catimbau (25% até 60 minutos após o pôr-do-sol; 75% até 150 minutos após o pôr-do-sol).

A urbanização teve influência sobre a atividade dos morcegos molossídeos nos locais amostrados, afetando o seus padrões de atividade. Morcegos urbanos tenderam a ter atividade mais precoce, no entanto a atividade média no ambiente urbano de Mata Atlântica foi muito mais baixa, indicando possíveis efeitos negativos de uma urbanização em grande escala. Embora capazes de conviver com ambientes urbanos, mostramos que morcegos sinantrópicos também alteram os seus comportamentos naturais como forma de adaptação às alterações dos habitats, tais como a urbanização. Entender quais os fatores que motivam estas alterações comportamentais será objeto de pesquisas futuras, mas variáveis como poluição sonora e/ou luminosa, alterações nos padrões de emergência de presas, ou mesmo aspectos fisiológicos relacionados com variações de temperatura ou bolsões de calor devem ser considerados.

Palavras-chave

Bioacústica, Chiroptera, detectores de ultrassons, Molossidae, pôr-do-sol, Urbanização.

Financiamento

O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES), através de uma bolsa de Doutorado atribuída a Frederico Hintze (edital de referência PROEX, processo n.º 88882.183068/2018-01) e com o apoio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco através de uma bolsa PIBIC/FACEPE (processo n.º BIC-0708-2.05/18) atribuída a Alini Frias.

Área

Ecologia

Autores

Alini Frias, Frederico Hintze, Enrico Bernard