X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

EFEITO DA INSTABILIDADE CLIMATICA NA AMPLITUDE DO NICHO DAS ESPECIES DA ORDEM RODENTIA

Resumo

A amplitude do nicho é uma característica central nas espécies, sendo um importante determinante da distribuição geográfica das mesmas. As mudanças climáticas do Plestioceno tiveram intensidades diferentes nas zonas tropicais, temperadas e polares, podendo ter selecionado espécies com diferentes níveis de amplitude de nicho ao longo do globo. Assim, o presente trabalho tem como objetivo analisar a influência da instabilidade climática dos últimos 25 mil anos na amplitude dos nichos térmico e trófico da ordem Rodentia. Foi criada uma matriz de presença/ausência para as espécies da ordem a partir dos mapas de distribuição da IUCN. As coordenadas das áreas de distribuição das espécies foram utilizadas para estimar a amplitude do nicho térmico, calculado pela diferença entre as variáveis, temperatura máxima do mês mais quente e temperatura mínima do mês mais frio, disponibilizadas pelo Worldclim. Estimamos a amplitude do nicho trófico a partir da base de dados Elton traits, sendo calculado o Índice de Levin estandardizado para cada espécie. A instabilidade climática foi calculada utilizando a média da variável Velocity (Sande et al., 2011), utilizando a área de distribuição das espécies. Para avaliar se as amplitudes de temperatura e a amplitude do nicho trófico são afetadas pela variável de instabilidade, foram realizadas análises de PGLS, utilizando a hipótese filogenética de Rolland, como fator de correção nos modelos lineares. Assim, avaliamos se Velocity afeta a tolerância a instabilidades climáticas e a distribuição das espécies pertencentes à ordem Rodentia e às subfamílias Sigmodontinae, Arvicolinae, Neotominae e à família Nesomydae. Todas as análises foram feitas com o auxílio do software R 3.3.5. A análise de amplitude térmica da ordem Rodentia apresentou um padrão de menores amplitudes do nicho térmico nas regiões Neotropical, Etiópica e Australiana e maiores amplitudes no Neartico e Paleartico. As análises de PGLS para a ordem Rodentia e os demais grupos mostraram que a amplitude de temperatura é afetada positivamente e de forma significativa (p<0.05) por Velocity. Enquanto a amplitude do nicho trófico não é afetada significativamente (p>0.05) em nenhum dos grupos estudados. Nossos resultados confirmam que a instabilidade climática tem efeito sobre a amplitude do nicho térmico, mas não sobre a amplitude trófica das espécies. As análises mostram que as espécies pertencentes à subfamília Sigmodontinae e a família Nesomydae são especialistas em relação à amplitude térmica quando comparadas às subfamílias Neotominae e Arvicolinae. A instabilidade climática à que estiveram expostas as espécies das regiões Neotropical e Etiópica, desde a última máxima glaciação, foi menor que nas regiões do Neartico e Paleartico. A partir de nossos resultados, fica percetível que as relações entre as amplitudes térmicas e a instabilidade climática tornam-se aparentes quando se analisam áreas com grande variação de instabilidade climática e se amplia a escala filogenética de estudo. Dessa forma percebe-se que a ordem Rodentia segue o padrão latitudinal previsto pela Regra de Rapoport apresentando maiores amplitudes de nicho e maiores áreas de distribuição nas latitudes maiores.

Palavras-chave


Distribuição, Nicho ecológico, Regra de Rapoport.
 

Financiamento

COPES e CNPq.

Área

Biogeografia/Macroecologia

Autores

Jennifer Suiany Goes Reis, Mayane Alves Andrade, Pablo Ariel Martinez