X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

USO DE LATRINAS POR VEADOS (MAZAMA GOUAZOUBIRA) EM UM REMANESCENTE DE MATA ATLANTICA NO SUDESTE DO BRASIL

Resumo

A comunicação química é uma das estratégias mais eficientes para expressar territorialidade e informar sobre o estado reprodutivo. Este tipo de comunicação ocorre por meio da produção e percepção do odor liberado por glândulas, fezes e/ou urina, os quais podem ser depositados de forma pontual e contínua, formando latrinas. O presente estudo relata o uso de latrinas por veados (Mazama gouazoubira) na Reserva Natural Vale (RNV; Linhares/ES). Os registros foram obtidos por armadilhamento fotográfico (fotografias e vídeos), entre outubro/2016 e fevereiro/2017, em dois pontos de amostragem. Os indivíduos registrados foram classificados como macho, fêmea ou indeterminado. As interações com latrinas foram classificadas como “farejando”, “defecando”, “urinando”, “arranhando o solo” e “sacudindo a cauda”. Quando nenhum desses comportamentos foi observado, foi considerado que o indivíduo apenas passou pelo local. Foram obtidos 28 registros, sendo 17 de machos (60,7%), oito de fêmeas (28,6%) e três indeterminados (10,7%). Foram registradas 21 interações com as latrinas, sendo “farejando” (n=7; 33,3%) e “defecando” (n=6; 28,6%) as mais registradas, seguidas de “urinando” (n=3; 14,3%), “arranhando o solo” (n=3; 14,3%) e “sacudindo a cauda” (n=2; 9,5%). Especificamente no ponto 1, foram obtidos 12 registros: cinco (42%) de machos e sete (58%) de fêmeas. Foram identificadas três categorias de comportamento para machos (n=6 registros): “farejando” (50%), “sacudindo a cauda” (33%) e “defecando” (17%). As fêmeas apresentaram quatro comportamentos (n=11 registros): “defecando” (27%), “farejando” (27%), “urinando” (27%) e “arranhando o solo” (19%). No ponto 2, foram reunidos 16 registros: 12 (75%) de machos, um (6%) de fêmea e três (19%) indeterminados. Os machos apresentaram dois comportamentos (n=3 registros): “defecando” (75%) e “arranhando o solo” (25%). Um indivíduo indeterminado foi registrado “farejando” (n=1; 25%). Fêmea, machos (n=9) e indivíduos de sexo indeterminado (n=2) foram registrados apenas passando pelo local. Ainda no ponto 2, foi obtido um registro de casal. As fezes, urina e arranhões são marcações comuns para o gênero Mazama, sendo as fezes mais eficientes porque liberaram odor de forma mais gradativa e persistem por mais tempo no ambiente. No presente estudo, ambos os sexos foram registrados defecando, mas apenas as fêmeas urinaram nos locais monitorados. Ressalta-se que o sinal de estro está mais associado à urina e que em Mazama a reprodução ocorre durante todo o ano. Os veados possuem glândulas nas patas e na região da cauda, sendo que arranhões no solo e balançar de cauda podem liberar um forte odor almiscarado também utilizado na comunicação química. O farejamento pode ser intensificado nas latrinas como resultado da percepção do cheiro de outros indivíduos, alterando o comportamento do receptor do sinal e efetivando a comunicação. Na RNV, ambos sexos foram registrados arranhando o solo e farejando, mas apenas machos sacudiram a cauda. As latrinas são importantes na delimitação de territórios, podendo reduzir a frequência de interações intrassexuais negativas (competição por fêmeas, por exemplo) e minimizar a competição intraespecífica por recursos alimentares. Embora as latrinas possam ser usadas simultaneamente para múltiplas finalidades, sugere-se que o uso das latrinas monitoradas na RNV esteja relacionado especialmente a atividades reprodutivas.

Palavras-chave

armadilha fotográfica, Artiodactyla, comportamento reprodutivo, comunicação química, interação intraespecífica.

Financiamento

FAPES (Projeto 607/2015)

Área

Ecologia

Autores

Hilton Entringer Jr, Ariane Teixeira Bertoldi, Ana Carolina Srbek-Araujo