X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

INVESTIGAÇAO DO USO DE HABITAT E DA ECOLOGIA TROFICA DE CETACEOS AMOSTRADOS NA COSTA SUDESTE DO BRASIL

Resumo

A ordem dos cetáceos compreende o grupo de mamíferos mais bem adaptados ao ambiente aquático. Dentre as 90 espécies atualmente existentes, 35 já foram descritas na costa sudeste do Brasil. A compreensão de como estes organismos interagem com o meio biótico e abiótico à sua volta é de suma importância para o refinamento de como os papeis ecológicos exercidos por estes organismos são desempenhados. Uma das formas de realizar essas investigações reside no estudo de seus nichos ecológicos por meio do entendimento de como estes animais utilizam da área e se relacionam troficamente tanto intra- como interespecificamente. Dentre as principais metodologias utilizadas para acessar essas informações, os isótopos estáveis de carbono e nitrogênio tem ganhado cada vez mais destaque. No presente estudo, foram avaliados os valores isotópicos de carbono (δ13C) e nitrogênio (δ15N) de dez espécies de cetáceos amostrados na costa do Estado de São Paulo no período de 2011 a 2016, sendo estas: Tursiops truncantus, Delphinus delphis, Orcinus orca, Megaptera novaeangliae, Eubalaena australis, Balaenoptera edemi, Steno bredanensis, Stenella frontalis, Prontoporia blainvillei, Sotalia guianensis. As análises químicas foram efetuadas a partir de amostras de pele de 124 indivíduos por meio de um analisador elementar acoplado a um espectrômetro de massa e as razões isotópicas entre as espécies analisadas foram comparadas utilizando testes de hipóteses. Os indivíduos da espécie T. truncatus, apresentaram os maiores valores de δ13C e δ15N, indicando um uso de fontes carbônicas mais costeiras e posições tróficas mais elevadas em relação às demais espécies. Em contrapartida, os menores valores isotópicos foram calculados para os indivíduos da espécie E. australis, o que pode ser um indicativo de fontes carbônicas basais empobrecidas nas áreas de alimentação nas altas latitudes do hemisfério sul, bem como a uma dieta vinculada essencialmente a organismos zooplanctônicos. Além disso, a mesma descrição acima pode estar relacionada aos indivíduos da espécie M. novaeangliae, uma vez que não há indícios de forrageio em águas brasileiras. Em relação as demais espécies analisadas, valores médios mais empobrecidos de δ13C foram verificados para indivíduos de D. delphis, S. frontalis e B. edeni e S. guianensis, enquanto os mais enriquecidos para indivíduos de O. orca, S. bredanensis, P. blainvillei, sugerindo o uso de presas ligadas a fontes carbônicas aparentemente distintas entre os dois grupos, mesmo não havendo evidências de diferenças estatísticas entre algumas comparações individuais envolvendo pares das referidas espécies. Já em relação aos valores de δ15N, os seis cetáceos restantes não apresentaram diferenças substanciais entre os níveis tróficos ocupados. Portanto, este estudo fornece informações sobre a ecologia alimentar de uma fauna ainda pouco estudada na costa sudeste brasileira, contribuindo para o entendimento de diferenças envolvendo os respectivos nichos ecológicos das espécies estudadas, bem como apresenta dados importantes que podem vir a contribuir com a conservação destas.

Palavras-chave

Isótopos estáveis

Cetáceos

Uso de área

Ecologia trófica

Nicho Ecológico 

São Paulo

 

Financiamento

Área

Ecologia

Autores

Victor Uber Paschoalini, Laura Busin Campos, Marcos César de Oliveira Santos