X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

COMPOSIÇAO DA FAUNA DE MORCEGOS NA RESERVA NATURAL SALTO MORATO, NO LITORAL NORTE DO ESTADO DO PARANA, SUL DO BRASIL

Resumo

Os morcegos constituem um dos grupos mais diversos dentre os mamíferos, tanto em número de espécies, como também em funções ecológicas desempenhadas. No cenário atual em que os ambientes naturais estão sendo modificados e degradados a taxas alarmantes, compreender a estruturação das assembleias em diferentes ambientes é fundamental para o planejamento de ações que visem a conservação deste grupo. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar a composição da fauna de morcegos na Reserva Natural Salto Morato (RNSM), no litoral norte do estado do Paraná. A área de estudo está situada no maior remanescente continuo Mata Atlântica, mais especificamente no domínio de Floresta Ombrófila Densa Submontana. As amostragens foram executadas em duas etapas. A primeira abrangeu o período entre setembro de 2013 e agosto de 2014. Para captura de morcegos, foram utilizadas 18 redes de neblina, instaladas em três ambientes florestais (três redes de 12 x 2,5 m; nove redes de 9 x 2,5 m; seis de 6 x 2,5 m). A segunda foi realizada entre janeiro e fevereiro de 2019, sendo utilizadas 10 redes de neblina, instaladas no nível do solo (duas de 12 x 2,5m; quatro de 9 x 2,5m e; quatro de 6 x 2,5m). Em ambas as etapas, as redes permaneceram abertas por seis horas após o início do crepúsculo. A composição da assembleia de morcegos foi descrita com base em atributos de riqueza, riqueza estimada (Chao1 e Bootstrap) e frequência de ocorrência, sendo as espécies classificadas como rara (0,1-25%), acessória (25,1-50%) e constante (50,1-100%). Em 75 noites de amostragem foram obtidas 1.482 capturas, de duas famílias (Phyllostomidae, Vespertilionidae) e 27 espécies. Dentre as espécies mais abundantes, destacam-se Artibeus lituratus (20,7%), Artibeus obscurus (18,5%) e Carollia perspicillata (14,6%). As curvas de acumulação de espécies demonstram tendência assíntota, sendo que, os estimadores apontam a ocorrência de 28 (Chao1) e 29 (Bootstrap) espécies. Esses valores indicam que o esforço amostral foi suficiente para registrar 95,7% e 93% do total de espécies, 
respectivamente. Quando analisada a frequência, Carollia perspicillata (78,7%), Artibeus obscurus (76%), Artibeus lituratus (68%), Sturnira tildae (64%) e Sturnira lilium (60%) são consideradas constantes e Anoura caudifer (45,3%), Dermanura cinerea (41,3%), Artibeus fimbriatus (36%) e Platyrrhinus recifinus (33,3%) como acessórias. Todas as demais espécies foram consideradas como raras na área de estudo. Trabalhos realizados no litoral norte do Paraná têm revelado a ocorrência de novas espécies, ampliado o conhecimento sobre a fauna de morcegos na Região Sul do país. Ademais, estes dados corroboram a importância da região para a conservação de morcegos da porção sul da Mata Atlântica. De forma geral, as espécies mais abundantes e frequentes são comuns também em outras áreas de Mata Atlântica, inclusive na região Sul do Brasil. Sozinha a Reserva Natural Salto Morato comporta 38% da fauna de morcegos do Paraná e de toda a Região Sul do país, o que destaca a importância das unidades de conservação para a manutenção e preservação da fauna de morcegos ao longo da Mata Atlântica. 

Palavras-chave

Conservação, inventário, quirópteros, Mata Atlântica, Unidade de Conservação.

Financiamento

Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza com os termos de parceria n° 0105_2012_ PR (entre os anos 2013 e 2014) e RNSM_089_2018 (entre os anos 2019 e 2023). 

Área

Inventário de Espécies

Autores

Karolaine Porto Supi, Luana Silva Biz, Beatriz Fernandes Lima Luciano, Isadora Hobold Dal Magro, Fernando Carvalho