X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

ANALISE COMPARATIVA DOS CRANIOS DE ARTIBEUS LITURATUS DE AREAS URBANAS E PRESERVADAS DO CERRADO

Resumo

A urbanização altera a disponibilidade de recursos para os organismos. Estudos prévios sugerem que morcegos respondem à urbanização com declínio na diversidade e na abundância das espécies, além de possíveis variações morfométricas corporais. Assim, nosso objetivo foi verificar, por meio da morfometria geométrica, se existem diferenças nos crânios de Artibeus lituratus entre áreas preservadas do Cerrado e áreas urbanas. Também verificamos se há dimorfismo sexual entre os indivíduos. Pela ampla área de vida e capacidade de voar longas distâncias, hipotetizamos que esses morcegos não apresentariam dimorfismo sexual, nem diferenças morfométricas entre os dois ambientes amostrados. Utilizamos 60 crânios de A. lituratus da coleção de quirópteros da UnB. Fotografamos os crânios nas vistas lateral e ventral para as análises de morfometria geométrica. Utilizamos os programas tpsUtil para organizar e padronizar a escala das fotografias e tpsDig afim de marcar os pontos anatômicos homólogos, para verificar a existência de dimorfismo sexual e de variação entre as áreas quanto ao tamanho e a forma dos crânios. No Programa R, realizamos um Teste T utilizando a medida do tamanho do centróide, para análise de tamanho, e uma PCA seguida de MANOVA, para análise de forma. O Teste T mostrou ausência de diferenças significativas para o tamanho do crânio entre machos e fêmeas, e entre as diferentes áreas, nas duas vistas. Quanto à forma, a PCA mostrou uma grande sobreposição das nuvens de dispersão, tanto para sexo quanto para área em ambas as vistas. No entanto, a MANOVA revelou diferenças significativas entre áreas preservadas e áreas urbanas  (lateral: P < 0,05 e ventral: P < 0,05), mas não para o sexo (lateral: P>0.05 e ventral: P>0.05). A ausência de dimorfismo sexual, tanto para o tamanho quanto para a forma do crânio em A. lituratus, corrobora com outros estudos realizados no Brasil. A ausência de diferença no tamanho do crânio dos morcegos entre as áreas estudadas pode estar atribuída à alta capacidade de deslocamento desta espécie por longas distâncias, ocasionando que os indivíduos de ambas as áreas façam parte de uma mesma população. Já foi registrado anteriormente que diferenças no tamanho dos crânios de indivíduos desta espécie podem ser causadas por fatores climáticos, como mudanças no regime de chuvas. Enquanto que a diferença na forma dos crânios entre os dois ambientes pode estar associada a diversos fatores como, por exemplo, diferenças na dieta e no local de forrageio entre os indivíduos dos locais estudados. Corroboramos com a hipótese de que não haveria dimorfismo sexual para a espécie A. lituratus e, vimos que apesar da capacidade de percorrer grandes distâncias, estes morcegos podem sofrer variações morfológicas influenciadas pelo ambiente. Concluímos que alterações na forma dos crânios não implicam necessariamente em alterações no tamanho destes. Estudos mais aprofundados poderiam detalhar quais os impactos e como a urbanização pode influenciar no aparecimento de diferenças morfológicas na estrutura craniana dos morcegos.

Palavras-chave

Chiroptera, dimorfismo sexual, morcegos, morfometria geométrica, urbanização.  

Financiamento

Área

Anatomia e Morfologia

Autores

Bruno Silva Araujo, Gabriel Ferraz Rodrigues Costa, Carla Grasiele Zanin Hegel, Ludmilla Moura Souza Aguiar