X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

LEVANTAMENTO DA MASTOFAUNA COM ARMADILHAS FOTOGRAFICAS NA ESTAÇAO BIOLOGICA FIOCRUZ MATA ATLANTICA, RIO DE JANEIRO

Resumo

A Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica (EFMA) está localizada na região de Jacarepaguá, cidade do Rio de Janeiro. Ela está parcialmente sobreposta ao Parque Estadual da Pedra Branca e sua Zona de Amortecimento, que compreendem a maior floresta urbana das Américas. A EFMA possui 430ha de Floresta Ombrófila Densa Submontana em diferentes estágios sucessionais, resultado de um longo histórico de pressões antrópicas. A região adjacente à EFMA apresenta o maior crescimento demográfico da cidade, possuindo baixos índices de desenvolvimento social e condições sanitárias precárias. Esse cenário, onde fauna silvestre e doméstica interagem em um habitat desestruturado, pode favorecer a emergência e circulação de doenças infecciosas e parasitarias zoonóticas. No entorno da EFMA residem aproximadamente 250 famílias, distribuídas em cinco comunidades, algumas delas nos limites das áreas de floresta. Nessa região, a fauna autóctone interage diretamente com fauna alóctone e doméstica, o que aumenta o risco de transmissão de patógenos zoonóticos aos moradores da região, em particular, aqueles que vivem nas bordas da floresta. Assim, os objetivos deste estudo foram (i) levantar a mastofauna da EFMA, (ii) entender sua distribuição; (iii) e como ela interage com a fauna doméstica. Foram utilizadas armadilhas fotográficas em 20 sítios distribuídos ao longo de um gradiente de interferência antrópica, em três áreas: peridomicílio (até 100m das residências); área de transição; e área de proteção integral (interior do PEPB). O levantamento ocorreu de junho/2018–abril/2019, e em cada sítio foi posicionada uma câmera que ficou ativa por ao menos 17 dias, em um esforço de 880 dias-armadilha. Foram obtidos 245 registros independentes de 11 espécies. Das 14 espécies conhecidas na região, 10 foram registradas, representando 71% do total. Leopardus pardalis teve apenas um registro e não estava na lista de espécies esperadas. Didelphis aurita e Cuniculus paca apresentaram maior número de registros (N = 96 e 73, respectivamente), representando 69% do total. Didelphis aurita, Cuniculus paca e Procyon cancrivorus foram as únicas registradas em todas as áreas. Dasyprocta agouti foi registrada apenas nas áreas de transição e proteção integral; Callithrix jacchus (introduzida) e Leopardus pardalis foram observadas apenas na área de transição; e Nasua nasua somente na área de proteção integral. Cerdocyon thous teve 16 de seus 17 registros no peridomicílio, enquanto Dasypus novemcinctus teve 15 de seus 16 registros em área de proteção integral. Foram registrados também gatos e cães domésticos (Felis catus e Canis familiaris), o segundo presente nas três áreas, indicando que há ampla sobreposição entre as áreas ocupadas por fauna silvestre e doméstica. O avanço da urbanização, criação de animais domésticos, caça, ocorrência de incên­dios e acúmulo de lixo são as principais pressões antrópicas observadas na região. Os resultados encontrados indicam que a proximidade entre as ocupações humanas e o ecossistema natural promovem uma maior interação entre a fauna e a população humana. O conhecimento sobre a fauna local, sua distribuição e interação com a fauna doméstica é de grande importância para subsidiar estudos futuros sobre os cenários ecológicos que favorecem a circulação de patógenos zoonóticos silvestres na região.

Palavras-chave

Parque Estadual da Pedra Branca; Camera-trap; Saúde ambiental; Biodiversidade

Financiamento

FIOCRUZ; CNPq; 

Área

Inventário de Espécies

Autores

Iuri Veríssimo, Gabriel Cupolillo de Azeredo, Monique Medeiros Gabriel, Sócrates Fraga da Costa Neto, Cecília Siliansky de Andreazzi, Ricardo Moratelli Mendonça da Rocha