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Dados do Trabalho


TÍTULO

CAPIVARAS NA RODOVIA BR-101/ES: UTILIZANDO REGISTROS DE ATROPELAMENTOS E COLISOES COMO FERRAMENTA DE SEGURANÇA E PLANEJAMENTO VIARIO

Resumo

A capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) tem sido reportada como uma das espécies silvestres mais acometidas em colisões veiculares nas rodovias brasileiras. Devido ao seu elevado peso e tamanho, acidentes com esses animais representam riscos aos usuários da rodovia, desde ferimentos leves até colisões fatais, além de danos materiais substanciais e custos adicionais à concessionária ou ao órgão público administrador. Analisar os registros de atropelamentos da espécie e indicar os principais trechos com alta incidência de colisões constitui uma importante ferramenta para propor e implementar medidas de mitigação efetivas em um contexto de gestão rodoviária e segurança humana. Com base em registros sistemáticos realizados por equipe técnica em campanhas de amostragem mensal, e registros ocasionais por inspetores de tráfegos da Concessionária Eco101 devidamente capacitados, investigamos o padrão espaço-temporal dos atropelamentos de capivaras em todo traçado da rodovia BR-101/ES (461 km entre a divisa dos estados RJ/ES e ES/BA) ao longo de três anos (abril/2016 a março/2019) e investigamos: (a) a presença de hotspots de atropelamentos da espécie; (b) incidência de acidentes de colisões com capivara que geraram danos materiais e/ou prejuízos à saúde humana; e (c) identificação de padrões temporais sazonais da espécie. Os dados foram analisados estatisticamente pelos softwares BioEstat v.5.3 e Siriema v.2.0. Os resultados indicam dois principais hotspots de atropelamentos de capivaras na BR-101/ES, localizados especificamente entre os kms 313-314 (Viana/ES) e entre os kms 344-346 (Guarapari/ES), onde as áreas marginais no entorno da rodovia possuem diversos corpos d´água perenes e temporários. Do total de 58 registros de atropelamentos de capivaras, 22,4% (n=13) foram acompanhados de ocorrências no Centro de Controle Operacional da concessionária (CCO), onde foi necessário a mobilização da equipe de tráfego ao local do acidente para confirmação do registro e atendimento emergencial. Desses treze, 61,6% (n=8) tiveram relatos de danos aos veículos (com destaque para um capotamento) e/ou utilizaram o serviço de guincho da concessionária. Nesses registros que a concessionária foi mobilizada, as vítimas envolvidas na ocorrência, incluindo motorista e passageiros, permaneceram ilesos fisicamente após o atendimento inicial, exceto em um caso de gravidade médica considerada leve (único registro de colisão entre capivara e motocicleta). A porção majoritária dos registros ocorreram a noite, correspondendo 91,3% (n=53). Os atropelamentos na estação chuvosa (outubro-março) representaram mais de 60% (n=35) do total de registros quando comparados à estação seca (abril-setembro) (39,6%, n=23), com maiores ocorrências entre novembro e janeiro, ainda que não tenha sido estatisticamente significativo quando comparadas por subestações ano-a-ano (p=0,419; teste de Mann-Whitney). Ao elucidarmos os trechos de alta incidência de atropelamentos de capivaras ao longo da BR-101/ES, fornecemos um suporte científico para a tomada de decisões e planejamento estratégico. O presente estudo poderá vir a servir como uma ferramenta para a implementação de medidas preventivas para evitar a mortalidade de capivaras na região, bem como que futuros acidentes ocorram na mesma intensidade, haja visto os riscos para a segurança do usuário da rodovia e os custos associados.

Palavras-chave

Ecologia de Transportes, Conservação, Hydrochoerus hydrochaeris, Planejamento viário

Financiamento

Área

Ecologia

Autores

Fabiana Mendonça Cruz, Helio Kinast Cruz Secco, Lucas Mendes Barreto, Renan Coser, Luis Felipe Farina, Thiago Oliveira Machado, Caio Cesar Vicentini de Barros