X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

DIETA E NICHO TROFICO DE KERODON RUPESTRIS (RODENTIA: CAVIIDAE) EM UMA AREA DO SEMIARIDO DO NORDESTE DO BRASIL

Resumo

Kerodon rupestris é um roedor endêmico do Brasil, com ocorrência principalmente em regiões de Caatinga. Esta espécie é classificada como herbívora, com sua dieta baseada no consumo de folhas. Contudo, não há informações sobre as espécies e itens vegetais que compõe a dieta deste roedor em vida livre. Dessa maneira, este trabalho objetivou caracterizar a dieta de K. rupestris (espécies e itens consumidos) e calcular a amplitude do nicho alimentar deste roedor, entre o período de setembro/2018 a abril/2019, em uma área de Caatinga (2.183 ha) localizada no estado de Sergipe, nordeste do Brasil. A dieta da espécie foi registrada “ad libitum” a partir da observação dos indivíduos em atividade de forrageio em quatro transecções durante os períodos da manhã e tarde, compreendendo aproximadamente 4 horas por turno/campanha. Foram anotados os itens consumidos (folha, flor, casca e caule) na própria planta e/ou substrato e os mesmos, quando possível, foram identificados no menor nível taxonômico. A amplitude do nicho alimentar foi determinada para os itens consumidos através do índice de Levin’s padronizado. Foram realizados 58 registros de itens consumidos por K. rupestris, sendo 60,3% no substrato e 39,7% na vegetação. A dieta da espécie foi composta por sete itens vegetais, sendo os mais representativos: flores caídas (36,2%); folhas (29,3%); folhas caídas (20,7%) e cascas (7%). Já em relação a riqueza, foi registrado o consumo de 12 espécies vegetais, sendo as mais representativas: catingueira | Cenostigma pyramidale (43,1%); pata-de-vaca | Bauhinia cheilantha (10,3%); macambira | Bromelia laciniosa (5,1%) e facheiro | Pilosocereus pachycladus (5,1%). O nicho alimentar de K. rupestris demonstrou uma baixa amplitude (Ba= 0,276), classificando a espécie como especialista. O registro de consumo por flores coletadas no substrato foi restrito a apenas duas coletas, período em que este recurso esteve disponível, sendo estas pertencentes a espécie dominante na localidade (catingueira). Registros de mudanças no comportamento alimentar já foram observados para a espécie congênere K. acrobata em áreas do Cerrado, provocado justamente pelo aumento de flores e folhas caídas na serapilheira no período seco. Já o consumo por folhas coletadas na vegetação ocorreu para a maioria dos meses e espécies de plantas registradas, o que provavelmente está relacionado a qualidade deste item para a dieta (quantidade de nutrientes e água). Apesar de consumir uma ampla gama de recursos, este cavídeo apresentou uma baixa amplitude de nicho devido a concentração da sua alimentação no consumo de flores caídas e folhas. O presente estudo é o primeiro que registra a dieta para K. rupestris “in situ”, demonstrando que este roedor é especialista na utilização dos recursos alimentares e consome itens na serapilheira e na própria vegetação. Além disso, este estudo verificou que esta espécie não consome apenas folhas em grande quantidade, mas também flores recém caídas no substrato, sendo este o principal item registrado para a espécie.

Palavras-chave

Caatinga; ecologia alimentar; mocó; Sergipe.

Financiamento

CAPES e FAPITEC-SE.

Área

Ecologia

Autores

Anderson Mendonça Conceição, Adriana Bocchiglieri