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Dados do Trabalho


TÍTULO

PEQUENOS MAMIFEROS NAO-VOADORES DA MATA ATLANTICA: DIVERSIDADE BETA ENTRE SEIS FITOFISIONOMIAS

Resumo

A Mata Atlântica brasileira é um dos biomas com maior biodiversidade do planeta, sendo também um dos mais ameaçados. Os pequenos mamíferos não-voadores são considerados bons indicadores de qualidade do ambiente, respondendo rapidamente a perturbações. Com a evidente ameaça e destruição da Mata Atlântica, estudos de Beta Diversidade são importantes para avaliar a composição de espécies entre locais, que permite servir como base para estudos em escala macro ecológica. O objetivo dessa pesquisa foi avaliar a Diversidade beta (β) entre comunidades de pequenos mamíferos de diferentes fitofisionomias da Mata Atlântica. Os dados referentes à riqueza de espécies de 302 comunidades foram obtidos no Data Paper – A dataset of communities of rodents and marsupials of the Atlantic Forests of South America e utilizados para a confecção de uma matriz de presença/ausência de espécies por localidade. As comunidades foram agrupadas em seis tipos de coberturas florestais (Floresta Ombrófila Mista-FOM; Floresta Estacional Decidual-FED; Floresta Estacional Semi Decidual-FES; Floresta Ombrófila Densa-FOD; Estepe-ES e Restinga-RE). Para avaliação da Diversidade beta entre as somas das riquezas das comunidades foi realizada uma análise de Beta Diversidade de Whittaker, bem como foi realizada uma análise de agrupamento (Cluster) baseada no índice de dissimilaridade de Whittaker entre as comunidades. A análise das 302 localidades resultou em 109 espécies de pequenos mamíferos não-voadores (29 espécies de marsupiais e 80 de roedores). A riqueza média por localidade foi de 7,4 ± 4,1 (média ± desvio padrão) espécies. Entre as fitofisionomias, a maior riqueza foi registrada na FOD (S=80), seguida pela FES (S=77). Já as menores riquezas foram registradas para ES (S=7) seguida pela RE (S=10). A Beta Diversidade Global de Whittaker foi de β=1,73. Sendo que o principal resultado foi a maior diversidade beta entre ES e a FOD (β=0,88). A menor diversidade foi registrada entre as fitofisionomias de maiores riquezas (FOD e FES) (β=0,32), indicando maior similaridade faunística entre estas fitofisionomias e possivelmente alto índice de turnover. A análise de agrupamento aponta 2 grupos (<0,50 de dissimilaridade), um formado pela FED e FOM e outro formado pela FES e a FOD. Já Estepe e Restinga encontram-se como grupos externos (<0,90 de dissimilaridade). O valor da Beta Diversidade Global pode ser explicado em relação a grande extensão latitudinal da Mata Atlântica, que proporciona grande heterogeneidade de hábitat. As maiores diversidades beta encontradas nas comparações entre ES e demais formações florestais, pode ser compreendida em relação, por exemplo, a FOD ser uma área florestada e que condiciona maior quantidade de recursos. Sendo que ES pode dispor de menor condição de recursos alimentares em abundância por ser um ambiente de área aberta, que proporcionalmente apresenta menor produção de serapilheira onde são encontrados invertebrados. Possivelmente devido as semelhantes condições ambientais e de estruturação, as fitofisionomias florestais com carácter mais úmido (FOD e FES) e também mais secas (FOM e FED) apresentaram maior similaridade faunística. Este estudo reforça a importância de mais trabalhos baseados em métricas de diversidade em busca do entendimento de como estão estruturadas as comunidades de pequenos mamíferos.

Palavras-chave

Didelphimorphia; Diversidade; Ecologia; Rodentia

Financiamento

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES

Área

Ecologia

Autores

Gabriel Cezar Silveira Rocha, João Marcelo Deliberador Miranda