X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

Variação temporal na composição de comunidades de pequenos mamíferos: efeitos da substituição e do aninhamento de espécies

Resumo

A diversidade beta possui dois componentes, a substituição de espécies (turnover; B-subst) e a perda de espécies ou aninhamento (nestedness; B-aninh), sendo a distinção entre esses dois processos essencial para entender efeitos de perda e fragmentação de habitat sobre a biodiversidade. A variação temporal da diversidade beta e seus componentes é outro aspecto importante, mas também pouco compreendido. Neste trabalho avaliamos a contribuição de fatores espaciais e temporais na diversidade beta e seus dois componentes em uma metacomunidade de pequenos mamíferos. Foram amostradas duas áreas em mata contínua e 10 fragmentos florestais, entre 1999 e 2001, em uma paisagem fragmentada de Mata Atlântica, na bacia do Rio Macacu, RJ, Brasil. Cada localidade foi amostrada uma vez em cada estação (Seca e Chuvosa). Em cada sessão de amostragem, um esforço padronizado de 800 armadilhas-noite foi usado para a captura de pequenos mamíferos pertencentes às ordens Rodentia e Didelphimorphia. As estimativas de diversidade beta (B-total) e componentes foram obtidas utilizando o índice de dissimilaridade de Sorensen no pacote betapart, no ambiente R. Para avaliar a contribuição relativa de variáveis de paisagem (cobertura florestal, área e isolamento das manchas, e tipo de matriz) e locais (Análise de Componentes Principais - PCA da estrutura do habitat) nas médias de diversidade beta e seus componentes por localidade foi utilizado o Critério de Informação de Akaike e Modelos Lineares Generalizados com distribuição beta. A B-total foi similar em ambas as estações (Seca: B-total = 0,733; Chuvosa: B-total = 0,748). A substituição de espécies foi o processo dominante na paisagem em ambas as estações (Seca: B-subst = 0,591; B-aninh = 0,142; Chuvosa: B-subst = 0,626; B-aninh = 0,121). Na estação Seca, a B-total foi explicada pela área das manchas e pelo PC1 (i.e., grau de abertura do dossel e sub-bosque, e presença de gramíneas e cecrópias), mas nenhuma variável preditora utilizada explicou a variação dos seus dois componentes, tendo sido selecionado o modelo nulo em ambos os casos. Na estação Chuvosa, a B-total e o componente B-subst foram explicados pela área das manchas e pela cobertura florestal. Já o componente B-aninh foi explicado pelo tipo de matriz, mais especificamente pelo tipo de atividade econômica (i.e., uso misto pecuária/agricultura, urbano, ou mata contínua), sendo os maiores valores para as localidades de entorno urbano e menores para as matas contínuas. Portanto, os fatores que explicaram a variação da B-total e seus componentes diferiram entre as estações e dentro de cada estação, à exceção da área das manchas que explicou a B-total em ambas as estações. Sendo a substituição de espécies o processo dominante na paisagem, a preservação de um maior número de fragmentos florestais com diferentes composições seria a estratégia mais adequada para a preservação e manutenção de comunidades mais diversas. 

Palavras-chave

Didelphimorphia; diversidade beta; fragmentação de habitat; Mata Atlântica; nestedness; Rodentia; turnover

Financiamento

CAPES (PNPD/PPGEE-UERJ, projeto n. 1631/2018); PDA/MMA; FAPERJ; CNPq; MCT/MMA/GEF; PPBio

Área

Biologia da Conservação

Autores

Ana Cláudia Delciellos, Marcus Vinícius Vieira, Rui Cerqueira, Jayme Augusto Prevedello