X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


TÍTULO

VARIAÇAO GEOGRAFICA EM CARACTERES CRANIANOS DE CONEPATUS (CARNIVORA: MEPHITIDAE) QUATERNARIOS DO BRASIL.

Resumo

Os mefitídeos são pequenos carnívoros que assim como outros mamíferos migraram da América do Norte para a América do Sul, durante a Grande Troca Biológica das Américas (GABI). Estes animais são caracterizados por possuírem um mecanismo de defesa bem desenvolvido, onde as glândulas perianais produzem uma substância extremamente desagradável. Conepatus é um dos quatro gêneros da família Mephitidae, reportado para diferentes países da América do Sul, com representantes datados desde o Plioceno superior. Para uma melhor compreensão taxonômica e distribuição geográfica do grupo, este trabalho teve como objetivo analisar quantitativamente e qualitativamente a morfologia craniana entre as espécies atuais e os sub-fósseis do gênero que ocorrem no Brasil. Os resultados obtidos com as análises multivariadas distinguem significativamente as duas espécies de Conepatus ocorrentes no Brasil: ao sul C. chinga e no leste, centro-oeste e nordeste C. amazonicus. Os exemplares sub-fósseis foram encontrados em ambientes cársticos situados no estado da Bahia: Toca da Boa Vista, Toca da Barriguda e Poço Azul. Através do estudo morfológico qualitativo, observou-se que estes sub-fósseis possuem estruturas ósseas com formatos similares às espécies atuais. A retração do osso nasal ao nível do C1, o desenvolvimento da constrição pós-orbitária, a expansão do osso palatino, a morfologia do ramo mandibular bem como dos dentes superiores e inferiores, são variáveis que aproximam os sub-fósseis da espécie C. amazonicus. Por meio dos testes estatísticos, também foi observado que as variáveis analisadas apresentam 62% de semelhança entre os sub-fósseis com C. amazonicus apesar de relativamente maiores do que as espécies atuais. Estes resultados corroboram estudos anteriores reconhecendo como válida a espécie C. amazonicus para os exemplares do gênero encontrados na região central do Brasil. Estudos elaborados através de evidências paleoambientais demostram que a América do Sul passou por diferenciações na formação vegetacional durante as últimas eras glaciais, alternando ambientes savânicos e terras de pastagens com florestas fechadas A dispersão destes animais rumo ao interior da América do Sul parece estar ligada às estas grandes oscilações vegetacionais. Como habitantes preferenciais de áreas abertas, eles expandem pela América do Sul durante a retração das florestas e posteriormente se isolam tanto da espécie C. semistriatus, ao Norte, pelo avanço da Floresta Amazônica, quanto de C. chinga, ao Sul, pela expansão da Mata Atlântica. Conclui-se que ocorrem duas espécies de Conepatus no Brasil e que os sub-fósseis analisados são exemplares válidos do táxon atual C. amazonicus.

Palavras-chave

 Conepatus, Variação Geográfica, Morfometria Craniana, Taxonomia, Quaternário, Brasil.

Financiamento

CAPES

Área

Sistemática e Taxonomia

Autores

Ramon Gomes Carvalho, Gisele Lessa, Castor Cartelle