X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

COMPARTILHANDO A NATUREZA: MAMIFEROS E POPULAÇAO HUMANA DE UMA AREA DE PROTEÇAO NA MATA ATLANTICA DO RIO DE JANEIRO, BRASIL

Resumo

O estabelecimento de áreas protegidas (AP) é uma das estratégias centrais para a conservação da biodiversidade. No Brasil, as principais APs foram definidas pelo governo e possuem restrições específicas às atividades humanas. Desta forma, os conflitos surgem entre a administração da AP e a população local. Neste estudo, nossos objetivos foram descrever (1) a fauna de mamíferos de médio e grande porte e (2) entender como os moradores se sentiram sobre o estabelecimento do Núcleo Paraíso, do Parque Estadual dos Três Picos (PETP). Para a amostragem da fauna, estabelecemos 10 pontos de amostragem, cada um contendo uma armadilha fotográfica. Para compreender a situação de conflito entre moradores do bairro Paraíso, adjacente ao PETP, utilizamos um questionário semiestruturado, com perguntas sobre a identidade dos mamíferos caçados na área; o número de cães e gatos domésticos que possuíam; e sua opinião sobre as implementações e restrições do parque para a população local. Realizamos um total de 25 entrevistas independentes. Foram registradas 10 espécies de mamíferos de médio e grande porte: Didelphis aurita, Tamandua tetradactyla, Dasypus novemcinctus, Leopardus pardalis, Puma concolor, Nasua nasua, Pecari tajacuCuniculus paca, Dasyprocta leporina e Sylvilagus brasiliensis. Outra espécie de mamífero registrada foi o cão doméstico Canis lupus familiaris. A maioria dos moradores adultos (56%) não possuia opinião prévia sobre o estabelecimento do parque na região. No entanto, 36% dos moradores declararam perdas em suas atividades. As principais queixas foram sobre a falta de diálogo entre administração do parque e os moradores do bairro Paraíso, o acesso restrito a cachoeiras e trilhas no interior do parque e a retração do comércio local. Na visão dos moradores, o parque enfrenta problemas de falta de pessoal e caça ilegal. Dos 25 moradores entrevistados, apenas 13 informaram sobre animais sendo caçados na região: C. paca (N = 8), D. novemcinctus (N = 7) e D. leporina (N = 6). No total, os moradores do bairro Paraíso possuem 33 cães e 25 gatos. Cães e gatos podem afetar a vida selvagem, uma vez que podem atacar ou competir com espécies nativas. Outra ameaça à vida selvagem são as zoonoses que podem ser transmitidas de animais domésticos para animais selvagens. Segundo os moradores locais, ainda há caça ilegal dentro da Unidade Paraíso. O Núcleo Paraíso, juntamente com os outros núcleos do PETP, forma a maior unidade de conservação do Mosaico Central da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro. Assim, é uma região importante para a conservação da fauna no estado, para a manutenção de grandes populações de espécies de mamíferos. O diálogo entre a administração do parque e os moradores deve ser aprimorado para garantir a eficiência da conservação da vida selvagem na região.

Palavras-chave

Moisaco Central Fluminense, conflitos, conservação, animais domésticos

Financiamento

Área

Biologia da Conservação

Autores

Rodrigo Paulo Da Cunha Araújo, André Lucas Amaral Monteiro Rodrigues, Maron Galliez