X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

NAO EFEITO DA DISTANCIA E DA CONDIÇAO AMBIENTAL NA ESTRUTURA DA COMUNIDADE DE MORCEGOS NA AMAZONIA CENTRAL.

Resumo


A organização das comunidades no gradiente ambiental é um dos temas mais explorados e complexos dentro da ecologia, em que a teoria de Nicho postula que as espécies possuem requerimentos ecológicos diferenciados à manutenção da diversidade, sugerindo que os nichos podem se sobrepor neste hiperespaço, e assim limitar a coexistência das espécies em uma comunidade. Por outro lado, a teoria Neutra argumenta que as espécies são ecologicamente equivalentes, assim os requisitos do nicho não restringem a sua distribuição. Os morcegos estão entre os mamíferos mais abundantes da região tropical, desempenhando importantes papéis ecossistêmicos, tais como dispersão de sementes, polinização e controle populacional de insetos o que os tornam espécies chaves e excelentes instrumentos para estudos sobre a biodiversidade. No entanto, a acelerada conversão de florestas na Amazônia, ocasionada pelo crescente desenvolvimento das atividades agrícolas (pastagens e cultivo), construções de barragens, mineração e exploração, tem aumentado o isolamento das manchas de habitats e reduzindo o tamanho das paisagens naturais. O presente trabalho visa verificar se a comunidade de morcegos é estruturada pelas condições ambientais ou distância geográfica. As amostragens foram realizadas com redes de neblina entre os anos de 2013 a 2017 em cinco cavernas, quatro fragmentos florestais e cinco pedrais, localizados ao longo da região da volta grande do rio Xingu, nos municípios de Altamira e Vitória do Xingu, Pará. Para estimar a riqueza de espécies utilizamos Jackknife. A diferença na abundância das espécies entre Caverna, Fragmento e Pedral foi testada pela Análise de Variância (ANOVA). Para a composição utilizamos uma PERMANOVA. Para o teste entre componentes de nicho e neutro utilizamos mantel parcial, sendo que Caverna, Fragmento e Pedral foram considerados separadamente. A distância entre os pontos foi calculada através do índice de dissimilaridade euclidiano (Distância Euclidiana) utilizando as coordenas geográficas como referência. As condições ambientais foram consideradas através do NDVI e a comunidade através do índice de Bray Curtis. Foram amostradas 75 espécies de morcegos e estimadas 90 espécies, considerando todos os pontos amostrados. A riqueza de espécies nos fragmentos (62 observadas e 83 estimadas) foi maior que em Cavernas (32 e 38) e Pedral (28 e 36). O ambiente de Caverna foi o que apresentou maior abundância sendo seguido por Fragmento e Pedral, com abundâncias equivalentes (F(2,11) = 8,348; p = 0,006). A composição de espécies apresentou diferenças entre os três ambientes amostrados (F(2,11) = 7.969; p = 0,001). Não observamos efeito da distância (r = 0.078, p = 0.202) ou das condições ambientais (r = 0.128, p = 0.532) na distribuição da comunidade de morcegos. O não efeito pode ter sido em função da proximidade das áreas amostradas, considerando o grupo trabalhado, uma vez que as espécies de morcegos adentram áreas abertas e são capazes de voar de um fragmento florestal para outro, evitando assim o isolamento e ampliando a área de forrageio.
 

Palavras-chave

Morcegos, gradiente ambiental, distância geográfica, fragmentos

Financiamento

Área

Ecologia

Autores

Simone Almeida Pena, Naiara Raiol Torres, Thiago Bernardi Vieira, Ricardo Carvalho, Tiago Guimarães Junqueira, Marlon Zortéa