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Dados do Trabalho


TÍTULO

HISTORIA NATURAL DE NASUA NASUA (LINNAEUS, 1766) EM UM REMANESCENTE DE MATA ATLANTICA (SERRA DO JAPI), NO ESTADO DE SAO PAULO.

Resumo

A história natural é o estudo da vida, dos organismos, no nível dos indivíduos, ou seja, do que eles fazem, de como reagem uns aos outros e ao ambiente e envolve a observação cuidadosa destas ações e reações. Assim, dentre os Carnivora, o quati (Nasua nasua) chama a atenção por ter uma estrutura social, com fêmeas em bandos e machos solitários, por ser florestal escansorial, com forrageio também no solo e onívoro, além de apresentar atividade diurna e noturna.  Sua presença na Serra do Japi (35000 ha), uma das grandes áreas de Mata Atlântica contínua do interior do Estado de São Paulo, oferece uma oportunidade para estudo da espécie em mata sazonal semi-decídua e com pouca influência antrópica. O objetivo do presente estudo, usando metodologias diversas, procurou abranger os vários aspectos da história natural do quati na Serra do Japi. De abril de 2016 a abril de 2017, foram realizadas buscas ativas ao longo de estradas e caminhos na Reserva Biológica da Serra do Japi (2.071,20 ha). O monitoramento com armadilhas fotográficas (3011 dias) foi realizado em 11 locais com vestígios de forrageio (buracos no solo) deixados pelos quatis. Também foram instaladas três plataformas a cerca de 3 m de altura, que foram revezadas entre os locais, com armadilhas fotográficas para registrar a presença dos animais. Em cada encontro ou registro, o número de indivíduos nos grupos foi entre dez e 20. O forrageio predominou no período da tarde e no solo, exceto por uma observação em bromélias no dossel na busca ativa. Ocorreram poucos (nove) registros de quatis nas plataformas. O mesmo local (no solo), foi repetido pelos quatis nos dois períodos de um mesmo dia, até intervalos de 22 dias para armadilhas registrando por 41 a 375 dias consecutivos.  As poucas amostras de fezes obtidas confirmam o hábito onívoro, com restos de frutos, sementes e besouros (família Rhysodidae). Quatro fêmeas foram observadas com dois filhotes cada entre dezembro 2016 e fins de abril de 2017, repetindo registros de juvenis de abril de 2016. Foram localizados dois agrupamentos de ninhos, um com dois ninhos em forma de prato em uma enorme figueira, e o outro com um ninho dentro de um emaranhado de cipós, distanciados entre si por 2800m (em linha reta).   Os ninhos estavam no alto das árvores, próximos de corpos d´água. Portanto, estima-se que pelo menos dois grupos de quatis compartilhem a porção leste da reserva. Mesmo a busca ativa e os censos demandando muito esforço (78 dias, ou 349 horas, ca. 1395,6 km percorridos) e pouca observação direta do quati (26 encontros), eles foram importantes para determinar os locais para as armadilhas fotográficas e o encontro dos ninhos.  Nossos resultados confirmam várias observações de outros estudos.  Os nossos vídeos adicionam informações de frequência de uso e duração do forrageio diurno no solo em cada local, e a maior atividade no período vespertino.

Palavras-chave

Quati, forrageio, período de atividades.

Financiamento

CAPES

Área

Biologia da Conservação

Autores

Marcos Almir Polettini, Eleonore Zulnara Freire Setz