X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

TAXONOMIA INTEGRATIVA DO GENERO PTERONOTUS (CHIROPTERA:MORMOOPIDAE): REVELANDO A DIVERSIDADE.

Resumo

O conhecimento acerca da diversidade de morcegos na Região Neotropical tem aumentado significativamente nos últimos anos devido ao incremento no número de estudos de sistemática que utilizam ferramentas múltiplas de investigação, uma abordagem denominada taxonomia integrativa. Esse banco de dados passou a contar com informações moleculares, evidenciando que alguns grupos tradicionalmente reconhecidos pela taxonomia baseada em morfologia não são monofiléticos ou são complexos de espécies previamente considerados uma só espécie; inversamente, há casos em que táxons considerados espécies distintas pela morfologia representam apenas variação de uma única linhagem quando outras fontes de dados são acessadas. O gênero Pteronotus (Mormoopidae) é um exemplo claro da importância dessas novas fontes de evidência em estudos sistemáticos. Esse clado de morcegos insetívoros possui ampla distribuição na região Neotropical e representa um grupo morfologicamente homogêneo, mas com diferenças importantes na estratégia de ecolocação e comportamento de forrageio entre as espécies. Com base em dados moleculares e morfométricos, serão apresentados os resultados de uma investigação sistemática abrangente nesse grupo, originando uma nova hipótese filogenética e arranjo taxonômico; os dados moleculares incluem informações de 6 genes, de 3 sistemas de transmissão genética distintos, e a investigação morfométrica baseou-se na análise de 41 distâncias lineares em 1628 espécimes. De acordo com essa atualização taxonômica, a diversidade do gênero Pteronotus consiste em mais que o dobro daquela tradicionalmente reconhecida (6 espécies), totalizando 15 espécies classificadas em 4 subgêneros distintos: Pteronotus (3 espécies), Chilonycteris (2 espécies), Phyllodia (8 espécies) e um subgênero não-descrito (2 espécies). Ao mesmo tempo, a bioacústica surge como uma ferramenta complementar bastante promissora no reconhecimento específico, e caracteres morfológicos permanecem como uma ferramenta indispensável, por permitirem a inclusão de espécies fosséis em análises e a identificação taxonômica de forma rápida, ainda em campo. Algumas questões taxonômicas específicas vem sendo melhor exploradas a partir dessa abordagem integrativa, mais precisamente: 1) a investigação da variação craniana, genética e acústica em um clado do subgênero Phyllodia, com a descrição de uma nova espécie na Amazônia (P. alitonus); 2) a sinonimização de uma espécie atualmente reconhecida na Península de Paraguaná, noroeste da Venezuela (P. paraguanensis); e 3) a caracterização molecular e status taxonômico de algumas populações nos complexos P. personatus e P. davyi ainda não investigadas em um contexto filogenético. Os dados apresentados demonstram que muitos táxons previamente reconhecidos em Pteronotus com amplas distribuições geográficas ao longo do continente na verdade representam complexos de espécies crípticas que se substituem de forma parapátrica ou alopátrica; uma atualização da distribuição geográfica dessas espécies será apresentada. No Brasil, a diversidade para o gênero consiste em 4 espécies: P. rubiginosus, P. alitonus (subgênero Phyllodia), P. personatus (novo subgênero) e P. gymnonotus (subgênero Pteronotus). Estudos em sistemática que incorporam múltiplas evidências e conhecimentos de diferentes áreas são particularmente interessantes por fornecerem uma visão mais completa sobre a evolução de determinado grupo de linhagens, e de grande importância em taxons com elevada diversidade críptica, como é o caso de morcegos.

Palavras-chave

taxonomia – morcegos – bioacustica – diversidade críptica 

Financiamento

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): 2015/02132-7 e 2016/23565-1.

Área

Sistemática e Taxonomia

Autores

Ana Carolina Pavan