X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

DURABILIDADE E EFEITOS DA MARCAÇAO INDIVIDUAL EM MORCEGOS CAROLLIA PERSPICILLATA

Resumo

A identificação individual de animais é essencial para estudos populacionais de longo prazo. A maior parte dos métodos de marcação disponíveis envolve a colocação de etiquetas numeradas em partes do corpo que podem diferir de acordo com a espécie. A rejeição, perda de marcas e o dano causado aos animais devem preocupar os pesquisadores, tanto pelo efeito deletério ao animal quanto pela possibilidade de tendências nos estimadores populacionais. O objetivo deste estudo foi comparar a longevidade de dois tipos de marcação comumente utilizadas em morcegos, de acordo com variáveis individuais (sexo e categoria etária na primeira marcação - CE), assim como seu efeito sobre estimativas de sobrevivência. Estudamos duas colônias do morcego Carollia perspicillata na Reserva Biológica União (RJ) entre 01/2013 e 04/2019, marcando 1705 indivíduos (947F, 758M). Deste total, 1139 foram marcados com anilhas de alumínio (com abas, 3mm diâmetro) colocadas no antebraço e 808 (apenas adultos) marcados com colares de bolas de aço cirúrgico (14 bolas de 2,5mm), sendo 242 duplamente marcados. Os animais recapturados foram avaliados para lesões causadas pela marcação e legibilidade da numeração. 545 indivíduos foram recapturados pelo menos uma vez, permitindo estimar curvas de probabilidade de lesões e danos à marcação, de acordo com o tempo após marcação. Durante o estudo, foi observado que ~30% dos animais anilhados desenvolveram alguma lesão, sendo a maior parte leve. Lesões graves com inchaço ou crescimento tecidual sobre a anilha ocorreram em 9% das fêmeas e 4% dos machos. Animais anilhados jovens tendem a apresentar menos lesões graves, mas o risco de lesão não foi estatisticamente diferente entre categorias. Não foram observadas lesões de pele nem ilegibilidade da marcação nos colares, mas alguns indivíduos apresentaram leve alopécia na região do pescoço. As curvas de probabilidade baseadas em modelos Kaplan-Meyer para a ocorrência de lesões (leves+graves) não apresentaram diferenças entre sexos e CE. A meia vida estimada (tempo até que a probabilidade de lesões seja = 0,5) ficou entre 500-900 dias. A longevidade das anilhas foi estimada a partir da ocorrência de danos à numeração. As curvas apresentaram meia vida próxima de 1000 dias para adultos, chegando a 2000 dias para indivíduos marcados jovens, provavelmente por não morderem as anilhas, apresentando maior tolerância à marcação. Os indivíduos duplamente marcados permitiram estimar uma perda de 10% das anilhas e 8% dos colares, sem diferença entre sexos. Estimativas de probabilidade de sobrevivência a partir de modelos Cormack-Jolly-Seber não mostraram diferenças entre os tipos de marcação, indicando que as lesões causadas pelas anilhas não diminuem a sobrevivência dos animais. Considerando que morcegos apresentam geralmente baixas taxas de recaptura, dificultando a estimativa de parâmetros populacionais, estudos futuros devem levar em consideração se os objetivos da marcação e a possibilidade de lesões são compatíveis com o retorno em termos de conhecimento. A marcação dupla com anilhas para jovens e colares para adultos é a opção com menor probabilidade de lesões e maior longevidade em C. perspicillata. Particularidades de outras espécies devem ser levadas em consideração no planejamento de um estudo.

Palavras-chave

Marcação-recaptura, Phyllostomidae, Chiroptera, Sobrevivência

Financiamento

CAPES, CNPq, FAPERJ

Área

Ecologia

Autores

Lucas de Oliveira Carneiro, Breno Mellado, Marcelo Rodrigues Nogueira, Leandro Rabello Monteiro