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Dados do Trabalho


TÍTULO

FICA FRIO AI! A TEMPERATURA INFLUENCIA O PADRAO DE ATIVIDADE DE MORCEGOS INSETIVOROS?

Resumo

Compreender os padrões de ocorrência e uso do espaço-tempo pelos morcegos é o objetivo principal dos estudos de atividade nesse grupo. É crucial entender como fatores bióticos, como densidade de vegetação e abundância de alimento, e fatores abióticos, como temperatura e luminosidade, afetam esses padrões. O principal método de amostragem de morcegos é a rede de neblina, que captura preferencialmente morcegos frugívoros e nectarívoros. Morcegos insetívoros são subamostrados nesse tipo de método uma vez que conseguem perceber e evitar as redes pelo uso de ecolocalização. A bioacústica pode ser usada como método de registro de espécies preenchendo a lacuna de conhecimento da presença de morcegos insetívoros, facilmente registrados com gravadores ultrassônicos. Meu objetivo com este trabalho foi avaliar a atividade de morcegos testando três hipóteses principais.  H1: o pico de atividade de morcegos será no início da noite decorrente do grande intervalo de jejum. A atividade terá queda e estabilizará no restante da noite; H2: a média das frequências de ecolocalização por hora serão próximas umas das outras durante a noite, indicando ausência de repartição temporal de nicho; H3: a atividade dos morcegos será relacionada com a variação de temperatura ao longo da noite, diminuindo a atividade nas temperaturas baixas. Os dados foram coletados na Área de Proteção Ambiental Gama Cabeça do Veado durante os meses de fevereiro e abril de 2014. Foram amostrados 19 pontos durante a lua nova. Utilizando gravadores do modelo SM2BAT, as gravações se iniciaram 30 minutos antes do por do sol, gerando arquivos a cada 5 minutos, durante toda a noite, até 30 minutos após o nascer do sol. A identificação dos morcegos e contagem de passes foram feitas com o Avisoft-SAS Lab Pro. A H1 foi confirmada. Houve um pico de atividade nas primeiras horas e por volta da quinta hora de gravação uma queda. Padrão esse já observado em outros estudos de atividade que pode estar relacionado com o período de jejum dos morcegos. A H2 foi corroborada, indicando que independente da espécie e do hábito de forrageio, a noite é usada de forma similar, não havendo repartição temporal. É necessário testar em estudos futuros se há repartição espacial de nicho. Há diferença entre as temperaturas médias por hora, durante os dois meses de amostragem. Há uma relação da temperatura de ambos os meses com o número de passes por hora, confirmando a H3. Nas áreas temperadas a temperatura afeta diretamente a atividade dos morcegos. Já nos trópicos, a menor amplitude térmica da temperatura deve afetar os morcegos indiretamente. Os morcegos da APA estiveram ativos durante toda a noite, apresentando um pico no início, o que coincide com as temperaturas mais elevadas. Provavelmente a temperatura afeta diretamente a abundância de presas, que é um dos fatores que pode afetar a atividade dos morcegos. Como não houve separação temporal de nicho, é preciso testar se existe repartição espacial entre os morcegos, pois a separação de nicho entre espécies diminui a competição.

Palavras-chave

Morcegos, atividade, bioacústica.

Financiamento

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ.

Área

Ecologia

Autores

Claysson Henrique Aguiar-Silva, Ludmilla Moura Souza Aguiar