X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

EFEITOS DE HIPERDENSIDADE DA ANTA TAPIRUS TERRESTRIS NA MATA ATLANTICA

Resumo

A anta brasileira Tapirus terrestris (Perissodactyla: Tapiridae) é uma das quatro espécies de antas do mundo e o maior mamífero terrestre da América do Sul. Considerada um animal solitário, com densidade de 0,2-2,5ind./km² na Mata Atlântica, está extinta há mais de 100 anos no estado do Rio de Janeiro e outras regiões do Brasil. Projetos de reintrodução de fauna sofrem críticas e, muitas vezes, não são liberados pelos órgãos ambientais por possíveis danos causados pelas espécies reintroduzidas em áreas sem predadores. Devido às suas características biológicas, a anta pode causar grande impacto no ambiente quando em alta densidade. Este estudo teve o objetivo de avaliar o impacto causado por hiperdensidade de antas na Mata Atlântica. O cercado de aclimatação do Projeto Refauna, foi utilizado como modelo de estudo. O cercado de 0,88ha foi construído no interior da floresta na Reserva Ecológica Guapiaçu, localizada em Cachoeiras de Macacu, RJ (22°27’05”S/42°46’23”O). O experimento foi iniciado em outubro/2016, antes da chegada do primeiro grupo de antas. Ao longo do experimento, foram transportados dois grupos de antas: em dezembro/2017, com dois indivíduos (densidade = 227ind./km²); e junho/2018, com três indivíduos (densidade = 340ind./km². A aclimatação durou três meses um mês, respectivamente. Antes da reintrodução ser iniciada e depois de cada período de aclimatação foram avaliados: compactação do solo e estrutura da vegetação. Para cada parâmetro, foram amostrados 12 pontos no interior e 12 pontos fora do cercado de aclimatação. A compactação do solo foi estimada pelo método do perfurômetro simples, enquanto a estrutura da vegetação foi avaliada pelo método de bastão demarcado. Além disso, foi avaliado o pisoteio de sementes e de mudas em áreas ocupadas e não ocupadas pelas antas reintroduzidas. A intensidade de pisoteio foi avaliada através do uso de 100 plântulas artificiais (hastes finas de madeira) e 50 sementes artificiais (pequenas esferas de vidro) em cada ponto amostral. Foram estabelecidos seis pontos amostrais em área com antas e seis pontos amostrais em área onde as antas ainda não se estabeleceram, ao longo de três meses. Antes da reintrodução das antas, a penetrância do solo no interior do cercado foi menor (25,8±4,1mm) do que fora (27,8±6,3mm). Após a aclimatação dos dois grupos de antas, não foi verificado efeito da hiperdensidade sobre a penetrância do solo no interior do cercado (GLM: F=2,25; gl=4, 67; p=0.074). A estrutura da vegetação dentro do cercado aumentou a partir da aclimatação das antas, diferente do que ocorreu fora do cercado ao longo desse período (GLM: F=3,19; gl=3, 68; p=0,029). Houve influência da presença de antas, junto com o período de amostragem, sobre o número de sementes artificiais enterradas (com anta: 10,2±5,6; sem anta: 4,2±4,9; GLM: F=6,68; gl=1, 19, p=0,018) e de plântulas artificiais quebradas (com anta: 24±10,7; sem anta: 5±7,6; GLM: F=6,72; gl=2, 18; p=0.007). Mesmo em hiperdensidade, as antas parecem não apresentar impactos negativos. O maior número de sementes enterradas nas áreas com presença de anta pode favorecer a germinação de sementes. Conclui-se que as antas podem ser reintroduzidas, mesmo em áreas sem predador natural.

Palavras-chave

Mamífero; Perissodactyla; compactação de solo; estrutura de vegetação; pisoteio; Rio de Janeiro

Financiamento

IFRJ, CNPq; FAPERJ e Fundação O Boticário de Apoio à Natureza

Área

Ecologia

Autores

Lucas da Silva Ferreira, Maron Galliez