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Dados do Trabalho


TÍTULO

USO DE ABRIGOS ARTIFICIAIS POR MORCEGOS INSETIVOROS (CHIROPTERA: VESPERTILIONIDAE) NA RESERVA NATURAL SALTO MORATO, LITORAL NORTE DO PARANA

Resumo

Morcegos possuem grande plasticidade quanto ao uso de abrigos podendo utilizar estruturas naturais, como as cavernas, frestas em rocha, oco de árvores, cupinzeiros e folhagem, até mesmo estruturas antrópicas, como os telhados, porões, vão de pontes e bueiros. Devido a ação humana e a consequente simplificação da estrutura dos ambientes naturais, em algumas regiões, faz-se necessário a disponibilização de abrigos artificiais (bat house). Entretanto, para o Brasil, pouca informação está disponível sobre esta temática. O presente trabalho teve como objetivo reportar os dados parciais sobre o uso de abrigos artificiais por morcegos insetívoros, em ambiente de Mata Atlântica, no sul do Brasil. O estudo está sendo desenvolvido na Reserva Natural Salto Morato, a qual está localizada no município de Guaraqueçaba, litoral norte do estado do Paraná. A Reserva foi fundada em 1994 e desde então é administrada pela Fundação Boticário de Proteção à Natureza. Dentro da reserva existem nove edificações, para as quais em ao menos seis, há confirmação de morcegos utilizando como abrigo diurno. Em julho de 2017 foi realizado procedimento de remoção de duas colônias, sendo uma de Myotis nigricans e a outra de Eptesicus furinalis, as quais ocupavam o telhado de uma das edificações (centro de pesquisa). Visando minimizar o impacto foram instalados três abrigos artificiais, construídos com tábuas de madeira, em formato de caixa. As dimensões utilizadas foram: altura 60cm; largura 50cm; duas repartições com 15cm de espaçamento; e no interior, adicionada rede de polietileno presa as paredes. O primeiro abrigo foi instalado na mesma edificação que os morcegos foram removidos, sendo este posicionado a 1,94m do solo, com a frente posicionada para a direção oeste. O segundo foi posicionado a 2,10m, na direção nordeste. E por fim, o terceiro foi alocado a 1,38m, na direção leste. Após a instalação, os três abrigos passaram a ser monitorados buscando-se identificar a utilização pelos morcegos e quando possível, alguns animais foram capturados para confirmação da identificação. Desde a instalação (julho de 2017), o abrigo três foi o primeiro a ser ocupado por um grupo de Eptesicus furinalis, os quais permaneceram neste local por todo tempo de monitoramento. Por esta característica é possível sugerir que essa utilização não é esporádica. Em um dos monitoramentos foram contabilizados aproximadamente 30 indivíduos utilizando este abrigo. Em fevereiro de 2018 o abrigo um foi utilizado por dois indivíduos (Família Vespertilionidae, não identificados). Entretanto, esse foi esporádico, visto que os animais deixaram o abrigo depois de três dias de uso. Para o abrigo dois não foi observado indício de utilização por morcegos. Apesar de não ser possível determinar se os indivíduos que se alojaram no abrigo três faziam parte da colônia que foi manejada, o registro de utilização do abrigo é importante. O abrigo três é aquele que apresenta a menor altura em relação ao nível do solo, e também o único exposto para a face leste, e que recebe sol de forma direta. A continuidade do projeto visa verificar quais os fatores abióticos estão relacionados com a ocupação destas estruturas artificiais.

Palavras-chave

Alteração ambiental, Bat House, Eptesicus furinalis, Myotis nigricans, Mata Atlântica.

Financiamento

Fundação Grupo Boticário de Proteção a Natureza com o termo de parceria número  RNSM_089_2018, vigente entre os anos 2019 e 2023.

Área

Ecologia

Autores

Fernando CARVALHO, Samuel Duleba, Karolaine Porto Supi, Luana Silva Biz, Beatriz Fernandes Lima Luciano