X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

LEVANTAMENTO DE MORCEGOS EM UMA AREA DE CAATINGA DO ESTADO DA PARAIBA

Resumo

A região Nordeste, cuja maior parte do território é coberta pelo bioma Caatinga, é considerada subamostrada quanto o conhecimento da quiropterofauna, onde a maior parte do Estado da Paraíba não apresenta registros formais de quirópteros. Apenas cerca de 30 dos 171 municípios apresentam registros formais, representando 66 espécies de morcegos, distribuídas em oito famílias, das quais 22 estão inseridas no bioma Caatinga. Dessa forma, o objetivo do trabalho foi realizar um levantamento da fauna de morcegos em uma área de Caatinga do Estado da Paraíba, para aumentar o registro de espécies neste bioma. O estudo ocorreu na Reserva Ecológica Verdes Pastos, localizada no município de São Mamede, Paraíba, durante cinco meses (10 noites), estimando-se a riqueza e abundância das espécies capturadas. A captura ocorreu em três pontos de coleta, com sete redes de neblina, a uma altura de três metros, em cada noite de coleta, onde ficaram amadas durante doze horas, visando abranger todo o período de atividade dos morcegos. Posteriormente, foram realizadas medições, sexagem, marcação no dactilopatágio, para casos de recapturas e identificação realizada com o auxílio de guia de campo e chave dicotômica para espécies que ocorrem no Brasil. Um exemplar de cada espécie foi levado como espécime-testemunho para o Laboratório de Genética Animal, Biodiversidade e Ecologia de Morcegos, da UFCG, campus de Patos. A abundância relativa das espécies capturadas foi feita por Drel = (i/t) x 100; onde i = total de indivíduos de uma espécie e t = total de indivíduos coletados.  Foram capturados 62 indivíduos, pertencentes às famílias Phyllostomidae (Artibeus planirostris, A. obscurus, Trachops cirrhosus e Lonchorhina aurita) e Noctilionidae (Noctilio lepotinus). A família Phyllostomidae foi a mais abundante com 55 indivíduos. Quanto a abundância de espécies, A. planirostris representou 50% (31) do total de indivíduos coletados, possivelmente pela dieta frugívora generalista podendo ser complementada com insetos, pólen e néctar, corroborando com outros trabalhos da literatura. T. cirrhosus representou 22,58% (n=14) dos indivíduos, possivelmente devido sua ocorrência em quase todo o país, alimentando-se de pequenos vertebrados, insetos e complementando sua dieta com frutos.  Embora A. obscurus seja encontrada em todas as regiões e ter registro em pelo menos 20 Estados do Brasil, representou apenas 9,68% (n=6) dos indivíduos coletados, corroborando com trabalhos que mostram baixa representatividade em coletas realizadas na Caatinga. As espécies L. aurita e N. leporinus representaram apenas 1,61% (n=1) dos indivíduos capturados. A baixa abundância de L. aurita pode estar relacionada a detecção das redes de neblina pela espécie, enquanto a baixa representatividade de N. leporinus pode ser devido esforço amostral reduzido em locais próximos a corpos d’água. Os resultados indicam baixa riqueza de espécies quando comparados com outros trabalhos, possivelmente pelo baixo esforço amostral e pelo período sazonal das coletas (período de seca), onde há uma redução da disponibilidade de alimento. Além disso, reforçam a necessidade de aumento do esforço amostral e pontos de captura, que possibilitarão o aumento da riqueza de morcegos do bioma Caatinga, particulamente do Estado da Paraíba, além de possíveis novos registros de espécies.

Palavras-chave

chiroptera; inventário; Phyllostomidae; Noctilionidae; bioma Caatinga

Financiamento

CNPq

Área

Inventário de Espécies

Autores

Rogério Marques Costa-Filho, Joyce Ozias Diniz, Rayssa Ferreira Lima, Israel Pontes Lira, Bruna Alves Martins, Jéssica Maria Alexandre Soares, Eliane Alves Lustosa, Gonçalo Santos, Merilane Silva Calixto