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Dados do Trabalho


TÍTULO

UTILIZAÇAO DE ABRIGOS E DADOS BIOECOLOGICOS DE FURIPTERUS HORRENS (CHIROPTERA: FURIPTERIDAE), UM MORCEGO AMEAÇADO DE EXTINÇAO

Resumo

A família Furipteridae é composta por dois gêneros monotípicos neotropicais (Amorphochilus e Furipterus), dos quais apenas Furipterus ocorre no Brasil. Furipterus horrens possui uma distribuição desde a América Central (Costa Rica) até o sul do Brasil (Santa Catarina), com algumas lacunas em sua área de ocorrência. Dados bioecológicos desta espécie são raros, principalmente devido ao fato desta espécie ser pouco amostrada em levantamentos faunísticos com redes de neblina. Esta espécie é insetívora e encontra-se listada na categoria Vulnerável na lista das espécies ameaçadas de extinção no Brasil. Neste trabalho reportamos dados bioecológicos da espécie proveniente do estudo de monitoramento dos morcegos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada nos municípios de Altamira e Vitória do Xingu no estado do Pará. Cinco cavernas e oito pedrais (formações rochosas extensas em rios) foram amostradas em Belo Monte do ano de 2012 a 2017, em campanhas bianuais (12 campanhas). A maioria dos indivíduos capturados teve sua biometria realizada e 85 indivíduos foram marcados com colar contendo uma anilha numerada. Foram realizadas 109 capturas de 108 indivíduos (ocorreu uma recaptura). A maior parte dos morcegos foi observada nos pedrais (83 – 77%) enquanto 25 foram registrados em quatro cavernas (23%). Baseado no tamanho do antebraço, as fêmeas foram significantemente maiores que os machos (t = 4,03; P < 0,01), com média 36,6 mm, enquanto a média dos machos foi de 34,8 mm. Igualmente, as fêmeas apresentaram peso maior que os machos (Fêmeas = 3,8 g; Machos = 3 g). Houve também diferenças significativas na utilização de abrigos em relação ao gênero. Machos foram capturados com maior frequência em cavernas e fêmeas nos pedrais (ꭓ2 = 5,0; p < 0,05). Nos pedrais, os morcegos escolhem fendas largas que formam uma pequena cavidade, permitindo deslocamentos em voos curtos dentro do abrigo. Ocorreu uma recaptura de um indivíduo no mesmo local de sua captura no pedral da Pedra do Navio com um intervalo de 407 dias. Tanto a captura quanto a recaptura deste indivíduo ocorreu na mesma estação em relação ao ciclo hidrológico do rio Xingu. O número de capturas ao longo do estudo foi fortemente influenciado pela dinâmica sazonal do rio, com um maior número de capturas na estação seca. Este resultado era esperado já que na cheia alguns pedrais submergem parcial ou integralmente. Embora fosse conhecido que a espécie pudesse se abrigar em fendas em rochas, não havia, na literatura, informações sobre a utilização de pedrais em rios.

Palavras-chave

Abrigo, Caverna, Pedrais, Espécie Ameaçada

Financiamento

Área

Ecologia

Autores

Marlon Zortéa, Ricardo Carvalho, Manoel Antonio Volff, Tiago Guimarães Junqueira, Nayara Bastos, Thiago Costa Acioli