X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

USO DE ISCA PARA AMOSTRAGEM DE CARNIVOROS UTILIZANDO ARMADILHAS FOTOGRAFICAS

Resumo

A eficiência da utilização de iscas pode variar entre espécies, indivíduos e locais de estudo. Elas funcionam como um meio de atração de espécimes para otimização do sucesso de captura e seu uso pode ser vantajoso especialmente em inventários de curto prazo empregando armadilhas fotográficas. O presente estudo objetivou verificar a eficiência da utilização de iscas para atração de carnívoros em um remanescente de Mata Atlântica no sudeste do Brasil. As amostragens foram realizadas na Reserva Natural Vale (Linhares/ES), entre julho de 2017 e fevereiro de 2018, considerando oito pontos de armadilhamento fotográfico. Foram utilizados quatro tipos de isca (pernil suíno, patê para gato, ração para gato e sachê embebido com extrato de erva de gato), testados separadamente, os quais permaneceram expostos nos pontos de captura durante os dois primeiros meses de amostragem, considerando uma réplica espacial para cada tipo de isca. Nos outros meses não foram utilizadas iscas. Para análise de dados, foi calculado o esforço de amostragem (EA) por período (com e sem isca) e o sucesso de captura (SC) foi adotado para comparação dos períodos uma vez que houve diferença no EA. Foram obtidos 226 registros independentes de Carnivora (EA=1.537 armadilhas-dia; SC=14,70), sendo 91 (40,3%) obtidos com a utilização de iscas (EA=415 armadilhas-dia; SC=21,93; n=6 espécies) e 135 (59,7%) sem isca (EA=1.122 armadilhas-dia; SC=12,03; n=8 espécies). Para três espécies (Procyon cancrivorus, Herpailurus yagouaroundi e Puma concolor) foram obtidos apenas 1 ou 2 registros durante o estudo. Para as outras cinco espécies (Cerdocyon thous, Eira barbara, Nasua nasua, Leopardus pardalis e Panthera onca) o número de registros variou entre 14 e 90 (média=44,4). A espécie com maior incremento de SC durante o período com isca foi N. nasua (8,19), seguido de C. thous (5,06) e E. barbara (1,93), sendo os valores pelo menos duas vezes maiores em comparação com o período sem isca (3,83, 0,45 e 0,62, respectivamente). Para L. pardalis e P. onca, o SC foi relativamente semelhante nos dois períodos (com isca: 6,02 e 0,48; sem isca: 5,79 e 1,07, respectivamente). Entretanto, L. pardalis interagiu efetivamente com as iscas, o que não foi observado para P. onca. Dentre as iscas utilizadas, pernil suíno (SC=11,08; n=5 espécies) e patê para gato (SC=7,95; n=4 espécies) apresentaram maior eficiência. Apenas N. nasua foi atraído por ração e extrato de erva de gato. É esperado que os animais sejam atraídos por iscas que possuam características nutricionais apropriadas à sua dieta e que exalem odores característicos que aumentam o interesse dos indivíduos. Por este motivo, o uso de iscas orgânicas e/ou sintéticas pode provocar interferência diferenciada sobre as espécies, alterando o sucesso de captura específico. De fato, as iscas utilizadas no presente estudo apresentaram atratividade diferenciada e complementar, tendo sido a amostragem de carnívoros como um todo favorecida pelo uso combinado de atrativos, especialmente pernil suíno e patê. Com isso, o uso de iscas pode ser considerado eficiente para otimização da amostragem de mamíferos carnívoros em estudos de curta duração, favorecendo o registro de espécies em um menor intervalo de tempo.

Palavras-chave

Armadilha fotográfica, Mata Atlântica, Isca comestível, Isca odorífera.

Financiamento

FAPES-VALE (Projeto 510/2016) e UVV (Projeto M01-2017PI002)

Área

Ecologia

Autores

Laura Martins Magalhães, Carolina Ferreira Donatti, Raniely Lopes Moura, Sandryellen Gireli Valotto, Hilton Entringer Jr, Suéli Huber, David Costa-Braga, Ana Carolina Srbek-Araujo