X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

DELIMITAÇAO TAXONOMICA E GEOGRAFICA DE ESPECIES DE MORCEGOS NECTARIVOROS DO GENERO LONCHOPHYLLA THOMAS, 1903 (CHIROPTERA, PHYLLOSTOMIDAE, LONCHOPHYLLINAE): RESULTADOS PRELIMINARES

Resumo

O gênero Lonchophylla é endêmico da região Neotropical e foi descrito em 1903, por Thomas,  tendo L. mordax como espécie-tipo e atualmente são reconhecidas 13 espécies. O  trabalho mais recente e abrangente sobre a sistemática do grupo analisou nove das 13 espécies, não incluindo nenhuma das cinco espécies reconhecidas para o Brasil, dentre essas a espécie-tipo. Além disso, considerando que as espécies de Lonchophylla descobertas recentemente se deram a partir de material já depositado em coleções científicas, estamos examinando espécimes e os tipos nomenclaturais de todas as espécies válidas para delinear os limites taxonômicos e geográficos das espécies do gênero bem como suas relações evolutivas. Utilizaremos a abordagem integrativa, incorporando dados morfológicos, geográficos e moleculares de toda abrangência geográfica de cada espécie na América do Sul. Os resultados preliminares deste trabalho correspondem às análises morfológicas das espécies brasileiras, que guiarão as análises moleculares e basearão as hipóteses biogeográficas a serem testadas. Inferimos os padrões de variação morfológica quantitativa a partir de medidas cranianas de 235 adultos via estatística descritiva e análise discriminante de Lonchophylla mordax, L. inexpectata, L. peracchii, L. bokermanni e L. dekeyseri. Incluímos um conjunto de espécimes não identificados ao nível de espécie (Lonchophylla sp.), a fim de testar a classificação das análises. Nas análises cranianas, a primeira função discriminante (DF1) resumiu 86% da variação encontrada. As amostras se agruparam como o esperado, com L. bokermanni e L. peracchii mais próximas, diferenciando-se das demais espécies ao longo da DF1, mas sobrepondo parcialmente entre si ao longo da DF2. Os exemplares desconhecidos foram classificados com 72% de acurácia, atribuídos principalmente aos táxons L. mordax e L. inexpectata, estes últimos representando a maior incerteza taxonômica não evidenciando caracteres cranianos diagnósticos exclusivos até o momento. Adicionalmente, utilizamos medidas alares (comprimento de antebraço, metacarpos e falanges) com intuito exploratório, e os resultados recuperaram os mesmos agrupamentos das análises cranianas, porém  com L. bokermanni e L. peracchii sem sobreposição alguma tanto ao longo da DF1 como DF2, apresentando alta coesão intraespecífica e sugerindo uma diferenciação na morfologia alar. A sobreposição antes observada entre L. dekeyseri e L. inexpectata também diminui, incrementando a diferença conhecida entre estas espécies. Uma vez que a morfologia alar está intimamente associada ao estilo de vôo e às estratégias de forrageio em morcegos, é plausível que haja uma variação nos aspectos ecológicos que favoreça uma diferenciação de nicho, o que pode contribuir para o melhor entendimento dos limites entre as espécies. Até o momento, verificamos que a expansão de L. peracchii em direção ao extremo positivo da DF2 corresponde aos indivíduos da região Nordeste do Brasil. Os indivíduos desconhecidos que foram classificados como L. dekeyseri, também correspondem ao espécimes de ocorrência na região Nordeste. Dessa forma, os resultados preliminares deste trabalho nos sugerem que algumas espécies podem compreender complexos de espécies crípticas ainda não descritas, sobretudo as populações de L. bokermanni, L. perachii e L. dekeyseri do Nordeste brasileiro.

Palavras-chave

Sistemática Integrativa, Morfometria Linear, morfologia craniana, morfologia alar, morcegos nectarívoros

Financiamento

Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco - FACEPE

 

Área

Sistemática e Taxonomia

Autores

Patricia Pilatti, Diego Astua, Ricardo Moratelli