X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

HELMINTOFAUNA E DIETA DE DIDELPHIS ALBIVENTRIS NO RIO GRANDE DO SUL: ESTABELECENDO PARAMETROS E RELAÇOES

Resumo

Didelphis albiventris é um marsupial pertencente à família Didelphidae que ocorre em matas de cerrado, caatinga e zonas de transição em muitos estados do Brasil, Paraguai e Uruguai, assim como na Argentina e na Bolívia. A espécie se adaptou muito bem a ambientes urbanizados, tendo hábitos alimentares onívoros e oportunistas e uma taxa de reprodução alta. Os parasitos são organismos chave para os ecossistemas, fornecendo informações sobre os hábitos do hospedeiro e sua história evolutiva, apesar de seu modo de vida por vezes gerar algum tipo de dano ao hospedeiro. O objetivo deste estudo foi analisar quali e quantitativamente a fauna de helmintos parasitos de Didelphis albiventris e associar os parâmetros obtidos com a dieta do hospedeiro. Durante o período de um ano foram obtidos 24 espécimes mortos provenientes de diversas instituições de pesquisa e de atendimento veterinário. Os resultados mostram uma prevalência de 100% para helmintos pertencentes ao grupo Nematoda, seguido por Digenea com 67% e Acanthocephala com uma prevalência de 25%. Os helmintos encontrados estão em processo de identificação, mas foram registrados nove nematoides, quatro digenéticos e dois acantocéfalos. O nematoide mais prevalente (96%) foi encontrado no intestino grosso e no intestino delgado. Dos quatro trematódeos digenéticos coletados, dois foram predominantes: Brachylaima sp. (46%) e um digenético não identificado pertencente à família Diplostomatidae (33%). Em Acanthocephala, uma das espécies foi mais prevalente (21%). Restos de itens alimentares encontrados no trato digestório foram também analisados e constatou-se a presença de anelídeos, crustáceos, insetos e moluscos, além de outros vertebrados menores como aves e anfíbios. A alta variabilidade da dieta deste marsupial, justifica a presença destes grupos de helmintos, pois a transmissão do estágio larval infectante de um hospedeiro intermediário para o hospedeiro definitivo, nesse caso o gambá-de-orelha-branca, muitas vezes está associada a ingestão do hospedeiro intermediário. Acantocéfalos, por exemplo, possuem ciclos de vida intimamente associados com a presença de artrópodes como hospedeiros intermediários. Os nematoides compõem um grupo muito diverso com alta heterogeneidade de ciclos de vida, de locais de infecção e e de utilização de hospedeiros, o que pode explicar a predominância deste grupo. A presença de digenéticos pode ser explicada pelo consumo de moluscos terrestres por D.albiventris, pois este grupo de parasitos utiliza os mesmos como hospedeiros intermediários. Os resultados estabelecem relações diretas entre a presença dos helmintos e a dieta do hospedeiro e com a continuidade do estudo novos dados serão adicionados e isto poderá trazer novas informações relacionadas à relação parasito-hospedeiro.

Palavras-chave

parasito, gambá, hospedeiro, alimentação, ciclo de vida.

Financiamento

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

Área

Parasitologia/Epidemiologia

Autores

Stephanie Lopes de Jesus, Cláudia Calegaro-Marques