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Dados do Trabalho


TÍTULO

CAES DOMESTICOS COMO ESPECIE INVASORA EM UNIDADES DE CONSERVAÇAO DE MATA ATLANTICA DO NORDESTE DO BRASIL.

Resumo

O aumento de espécies invasoras como o cão doméstico (Canis lupus familiaris) em consequência do crescente processo de expansão de áreas urbanizadas cada vez mais próximas de áreas naturais, causa sérios impactos negativos sobre a fauna silvestre e um maior risco de doenças para as comunidades humanas do entorno. Neste trabalho, estimamos a frequência de ocorrência, tamanho populacional e densidade de cães domésticos em três Unidades de Conservação da Paraíba, a Reserva Biológica Guaribas (SEMA I, II e III), a RPPN Pacatuba e a RPPN Gargaú. Adicionalmente, avaliamos os padrões de uso do espaço e atividade destes cães. Para isto, utilizamos armadilhas fotográficas em grids regulares de 1km2, onde cada ponto de amostragem ficou ativo 24 horas durante 30 dias aproximadamente, nos anos de 2016 e 2017. Os registros de cães domésticos foram individualizados de acordo com características fenotípicas. Estimamos a frequência de ocorrência a partir da soma de registros pelo total de capturas multiplicado por 100, tamanho populacional a partir do modelo de Jolly-Seber-POPAN e para densidade, utilizamos o tamanho populacional dividido pela área de amostragem efetiva das câmeras. Avaliamos a distribuição circadiana do padrão de atividade pelo teste de Watson’s U² gerando histogramas circulares no software Oriana 4.02, ainda produzimos mapas de calor utilizando Estimador de Densidade de Kernel Fixo no QGis 2.18.11. Registramos 728 mamíferos de médio porte, sendo 81 cães domésticos, dos quais 60 foram individualizados, e 24 de carnívoros silvestres. Registramos apenas um cão doméstico na Rebio Guaribas SEMA I, 35 na SEMA II e três na SEMA III; 21 na RPPN Pacatuba e na RPPN Gargaú não obtivemos registros. A frequência de ocorrência dos cães foi de 11%, bastante superior a encontrada para carnívoros silvestres que foi de 3%. As estimativas de tamanho populacional foram de 90 indivíduos na SEMA II, 29 indivíduos na RPPN Pacatuba, e as densidades foram de 3,23 e 6,22 cães/km², respectivamente. A densidade e a abundância dos cães domésticos estimadas nas UCs estudadas foram maiores do que em estudos na Mata Atlântica do Sudeste. Os cães utilizaram principalmente as bordas das áreas de estudo, com alguns registros no interior nas áreas que possuíam estradas internas. O padrão de atividade foi catemeral, com pico de atividade em torno de 25% ao nascer do dia. Vale destacar que 36% (n=56) dos registros foram em matilhas, e alguns cães foram registrados acompanhados pelo dono, um indicativo do uso dos cães para atividade de caça dentro das UC´s. Isso sugere que os padrões de uso do espaço e atividade dos cães são influenciados pelas atividades humanas das comunidades rurais do entorno. Nesse estudo encontramos uma alta densidade de cães domésticos numa área de grande importância biológica e já impactada por fragmentação, caça e retirada de madeira. Portanto, é de fundamental importância estabelecer estratégias de manejo para o controle das populações de cães do entorno dessas unidades, bem como desenvolvimento de estudos ecológicos e epidemiológicos que avaliem seu impacto na fauna silvestre, de modo a planejar medidas mitigatórias específicas para a realidade local.

Palavras-chave

Áreas protegidas, Paraíba, Centro de Endemismo de Pernambuco, Mamíferos de médio porte

Financiamento

Rufford Foudation - Small grant (20950-1)

Idea Wild

Capes pelas bolsas de pós-graduação (MGB e ACFA) e PNPD (FLR).

Área

Ecologia

Autores

Anna Carolina Figueiredo de Albuquerque, Mayara Guimarães Beltrão, Pedro Cordeiro Estrela, Fabiana Lopes Rocha