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Dados do Trabalho


TÍTULO

Variação geográfica de jupará Potos flavus (Schreber, 1774) (Carnivora, Procyonidae) no Brasil: padrões de coloração de pelagem e morfometria linear e geométrica

Resumo

O jupará Potos flavus (Schreber, 1774) é um procionídeo arborícola e noturno encontrado do sul do México até o sudeste do Brasil, ocorrendo em florestas pluviais e secas desde o nível do mar até 2.500 m de altitude. Caracteriza-se pela cabeça arredondada, focinho curto, língua comprida e estreita, cauda longa e preênsil, e coloração geral do corpo que varia de dourado-avermelhado ao pardo-oliváceo. Atualmente são reconhecidas oito subespécies, sendo três delas encontradas no Brasil: P. f. flavus (Amazônia), P. f. chapadensis (Cerrado) e P. f. nocturnus (Mata Atlântica). Recentemente foram investigadas as relações filogenéticas das populações da região central da América Central e da América do Sul e foi sugerido que o status específico de algumas delas deveria ser reconsiderado. O principal problema na taxonomia de P. flavus é a falta de caracteres morfológicos diagnósticos das subespécies, assim como descrições originais pouco detalhadas. Adicionalmente, os limites das distribuições dessas subespécies são também incertos. Assim, os objetivos deste trabalho foram: (1) detectar possíveis padrões de caracteres morfológicos e morfométricos que possam ser utilizados para distinguir as populações brasileiras de P. flavus; e (2) verificar a influência de cada bioma na morfologia das subespécies propostas. Analisamos 145 espécimes (66 crânios e 79 peles) depositados em coleções brasileiras e estrangeiras. Para análise qualitativa externa observamos os padrões de coloração de fundo da pelagem da cabeça, corpo, membros e cauda. Em relação à análise quantitativa crânio-dentária, aferimos 19 medidas em indivíduos adultos que, posteriormente, foram utilizadas para comparar as amostras aplicando Análise de Componentes Principais (PCA) e Análise Multivariada da Variância (MANOVA), com intuito de avaliar diferenças cranianas e discriminar populações. Além disso, para o estudo morfo-geométrico do crânio, coletamos uma série de landmarks a partir de registros fotográficos para três perspectivas diferentes do crânio: dorsal (21), ventral (15) e lateral (26). Para quantificar a variação da forma e analisar padrões alométricos, aplicamos respectivamente PCA e Análise de Regressão da forma no tamanho do centróide (RA). Finalmente, uma Análise de Variação Canônica (CVA) foi feita para avaliar as diferenças entre os biomas e Análise da Função Discriminante (DFA) para verificaro dimorfismo sexual. As análises qualitativas da coloração da pelagem mostraram uma notável variação individual, porém algumas tendências foram observadas: as populações amazônicas apresentam coloração dorsal laranja-acastanhado e pelos mais curtos que as demais; as populações do Cerrado tendem a ser amarelo-amarronzadas; e populações da Mata Atlântica tem uma coloração olivácea. As análises morfométricas lineares mostraram diferenças significativas entre essas três populações, sugerindo diferenças geográficas. Os resultados obtidos na morfometria geométrica mostraram que: não há dimorfismo sexual acentuado; os três grupos geográficos são claramente distinguíveis entre si com base na morfologia do crânio; e o tamanho do crânio tem baixa influência na sua morfologia. Além disso, observamos que as populações da Amazônia e Mata Atlântica apresentaram crânios maiores e mais robustos que as do Cerrado. A partir desses resultados, observamos que as diferenças morfológicas entre as populações brasileiras de P. flavus podem estar relacionadas com fatores biogeográficos e ecológicos.

Palavras-chave

Potos flavus, morfometria, morfologia, subespécies, biomas

Financiamento

Parcialmente financiado pela CAPES (código de financiamento 001)

Área

Sistemática e Taxonomia

Autores

Fabio Oliveira do Nascimento, José Eduardo Serrano-Villavicencio, Rafaela Lumi Vendramel