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Dados do Trabalho


TÍTULO

MORCEGOS COM MORTES CONFIRMADAS EM TORRES EÓLICAS: EXISTE DIFERENÇA NA COMPOSIÇÃO DE ESPECIES ENTRE REGIÕES PRÓXIMAS?

Resumo

Mesmo com o crescente número de novos trabalhos publicados o conhecimento sobre a distribuição das espécies de muitos grupos de mamíferos ainda possui grandes lacunas. Isto ocorre principalmente em Ordens diversas como Quiróptera. Este cenário torna-se mais preocupante quando estas lacunas são sobrepostas por regiões de intensas modificações ambientais, estas muitas vezes ocorrendo em decorrência de empreendimentos. No Rio Grande do Sul, muitas das lacunas de conhecimento sobre a distribuição de morcegos estão sobrepostas por áreas de concentração de parques eólicos, estes dois fatores na maioria das vezes são agravados pelo desconhecimento das espécies diretamente afetadas pela operação das turbinas. Com o propósito de contribuir com a resolução deste problema, este trabalho objetivou listar a diversidade de espécies de quirópteros em duas regiões com grande concentração de parques eólicos, as espécies com fatalidades confirmadas e a similaridade na diversidade de espécies e composição das fatalidades entre as regiões e os dados disponíveis  na literatura para os parques de Osório (Barros et al. 2015). Os registros foram coletados com a busca de abrigos, redes de neblina e busca de carcaças sob as torres, em 277 torres nos municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí (SVP), entre 2014 e 2019 e em Santana do Livramento (STL) em 39 torres entre 2016 e 2019. Os dados foram analisados com o índice de similaridade de Jaccard (SJ), onde a presença e a ausência de espécies foi utilizada para testar similaridade de espécies entre as áreas, o mesmo foi testado com a frequência relativa de mortes de cada espécie. Foram registradas 16 espécies em SVP, 18 em STL e 16 para Osório (dados bibliográficos). A composição de espécies com fatalidades confirmadas variou entre os locais, as espécies Tadarida brasiliensis, Lasiurus blossevillii, L. cinereus e L. ega foram encontradas em todas as 3 regiões; Molossus rufus foi encontrada somente em SLT e Osório; Eumops bonariensis somente em STL; Eptesicus brasiliensis e E. furinalis somente em SVP e Artibeus lituratus, Molossus molossus, Nyctinomops laticaudatus e Promops nasutus somente em Osório. A espécie Tadarida brasiliensis foi a espécie com o maior número de mortes em ambos os locais. A composição de espécies agrupou SVP e STL (Ambas no bioma Pampa) em um grupo sustentado por 62% de similaridade de espécies, este grupo compartilhou 41% das espécies com Osório. Em relação as fatalidades, ocorreu a formação de um grupo STL e Osório com similaridade de 50% entre si e 36% entre este grupo e SVP. Entre as 12 espécies com mortes confirmadas, 9 ocorrem em todas as regiões e uma em pelo menos duas regiões. Os resultados revelaram que a composição de espécies envolvidas em fatalidades apresenta variações diferentes da diversidade de espécies destas regiões, estas muito provavelmente relacionadas a diferenças ambientais dos parques. Sendo assim, a composição de espécies impactadas é influenciada pelo conjunto diversidade de espécies e fatores locais como disponibilidade de abrigos e alimento. Sugerimos a lista aqui apresentada como ponto de partida de programas de mitigação para a instalação de novos parques nestas regiões.

Palavras-chave

Quiropteros, Complexo eólico, Fatalidades, Similaridade, Diversidade

Financiamento

Área

Ecologia

Autores

Izidoro Sarmento do Amaral, Jessica Bandeira Pereira, Aurelea Mader