X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

INFLUENCIA DO HABITAT E DA SAZONALIDADE SOBRE A RIQUEZA E ABUNDANCIA DE MORCEGOS PHYLLOSTOMIDAE NO CERRADO DO AMAPA

Resumo

Sazonalidade e tipo de habitat podem afetar a disponibilidade de abrigos e recurso alimentares, afetando, assim, a presença e abundância dos morcegos. Por exemplo, habitats florestais (floresta de terra firme) tendem a ser mais produtivos e ter mais abrigos do que habitats não florestais (savanas). Assim, nosso objetivo foi entender qual dos dois fatores, sazonalidade (seca e chuva) ou tipo de habitat (florestal ou não-florestal), é mais importante para a riqueza e abundância de morcegos Phyllostomidae nas savanas amazônicas. O estudo foi desenvolvido em 10 sítios amostrais no Cerrado do Amapá (cada sítio com um transecto em mancha de floresta e um em savana). Cada transecto foi amostrado com nove redes de neblina (12m x 3m) durante quatro noites (duas noites na época chuvosa e duas na época seca) no ano de 2018. A riqueza de cada habitat e de cada estação foi estimada e comparada utilizando curvas de acumulação de espécies interpoladas e extrapoladas. A influência do habitat e da sazonalidade na abundância e riqueza total e nas guildas tróficas mais ricas foi avaliada com modelos lineares generalizados mistos com distribuição de Poisson. Foram testados cinco modelos onde as variáveis explanatórias foram: tipo de habitat; sazonalidade; tipo de habitat+sazonalidade; tipo de habitat*sazonalidade; e modelo nulo. Os melhores modelos foram selecionados com o critério de Akaike corrigido, calculando também o peso de cada modelo. No total, foram capturados 921 morcegos Phyllostomidae (376 em savana, 545 nas manchas de floresta, 526 na estação chuvosa e 395 na seca). As curvas de acumulação não evidenciaram diferenças de riqueza entre os habitats e entre as estações do ano. No entanto, de acordo com a seleção de modelos, a variação da riqueza de todos os grupos foi explicada pela forma aditiva dos dois fatores, sendo que a interação de ambos também explicou a riqueza de animalívoros. Entretanto, a riqueza total e a riqueza de frugívoros foi mais bem explicada pela estação do ano, enquanto a de animalívoros foi mais bem explicada pelo tipo de habitat. Em relação a abundância, sua variação foi mais bem explicada pelos dois fatores de forma aditiva (para animalívoros) ou interativa (para os três grupos). A similaridade de riqueza entre os habitats e estações do ano pode estar mostrando que os morcegos dessa família são capazes de usar os dois tipos de habitats e em qualquer estação e/ou que existe um turnover de espécies entre os habitats e estações que levariam a uma riqueza semelhante, mas uma composição diferente de espécies. No entanto, a segunda possibilidade está apoiada pela seleção de modelos que mostra efeitos aditivos e interativos dos dois fatores na variação da abundância de todos os grupos estudados. Além disso, a maior importância do habitat para a riqueza de animalívoros e da sazonalidade para frugívoros mostra que os insetívoros dessa família têm um habitat preferencial (mancha de floresta) enquanto os frugívoros tem uma estação preferencial (época chuvosa), ressaltando a importância dos dois fatores para a família Phyllostomidae nas savanas amazônicas localizadas no extremo leste do bioma Amazônico.

Palavras-chave

Savanas amazônicas; Chiroptera; Diversidade; Riqueza; Guildas.

Financiamento

CAPES, Rufford Foundation, National Geographic.

Área

Ecologia

Autores

Bruna da Silva Xavier, William Douglas de Carvalho, Isaí Jorge de Castro, Karen Mustin, Renato Richard Hilário, José Júlio de Toledo