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Dados do Trabalho


TÍTULO

VARIAÇAO INTRAESPECIFICA NA FORMA E TAMANHO DO CRANIO E DA MANDIBULA DE CTENOMYS TORQUATUS (RODENTIA: CTENOMYIDAE): O QUE A ESTRUTURAÇAO GENETICA E AS VARIAVEIS AMBIENTAIS NOS DIZEM?

Resumo

A biogeografia funcional tem como finalidade analisar os padrões, causas e consequências da distribuição geográfica da diversidade de forma e função. O roedor subterrâneo Ctenomys torquatus apresenta grande variação morfológica intraespecífica no crânio e na mandíbula. Contudo, existem lacunas acerca da explicação dos fatores que possam estar influenciando essa variação. O presente estudo tem como objetivo analisar a influência da estruturação genética e das variáveis ambientais sob o tamanho e a forma do crânio e da mandíbula de C. torquatus. Para isso, foram utilizados 174 crânios e 159 mandíbulas de indivíduos adultos provenientes da coleção do Laboratório de Citogenética e Evolução do Departamento de Genética da UFRGS e do Museo Nacional de Historia Natural de Montevidéu – Uruguai. Os espécimes foram divididos em cinco grupos com base na sua distribuição geográfica e em estudos anteriores. Foram realizadas análises de morfometria geométrica de fotografias de cada crânio na vista ventral e lateral da mandíbula. Foram utilizadas 122 sequencias do gene citocromo oxidase subunidade 1 (COI) (626 pb). A distância genética entre as populações foi avaliada por meio do FST par a par. A influência das variáveis ambientais foi estimada utilizando a temperatura média anual, precipitação média anual, densidade aparente do solo e produtividade primária. Foi realizada uma análise de partição de variância (pRDA) com o tamanho e a forma como variável resposta, e a distância genética e as variáveis ambientais como variáveis preditoras. O FST par a par indicou uma forte diferenciação genética entre todos os grupos (P < 0,001). As análises do crânio e da mandíbula evidenciaram que há dimorfismo sexual, dessa forma, as análises posteriores foram conduzidas somente com as fêmeas devido ao pequeno número amostral dos machos. Foram significativas as diferenças de forma do crânio entre os grupos (kWilks = 0,0430; F aproxx: 5; P < 0,001), mas não de tamanho (P=0,01). Dessa forma, as variáveis ambientais explicaram mais a variação da forma do crânio (R²=0,31) do que a estruturação genética (R²=0,16), mas ambos também explicaram essa variação (R²=0,30) e há uma parte desse padrão que não foi explicada, representada pelos resíduos (R²=0,22). Como a diferença de tamanho do crânio não foi significativa, ele não foi considerado na análise de pRDA. Foram significativas as diferenças de forma (kWilks = 0,0853; Faproxx: 3,6716; P < 0,001) e tamanho da mandíbula (P < 0,001). De modo contrário ao crânio, a estruturação genética (R²=0,85) explicou mais essa variação do que as variáveis ambientais (R²=0,08) com uma parte da variação não explicada (R²=0,48). O tamanho da mandíbula também foi mais explicado pela estruturação genética (R²=0,66) do que as variáveis ambientais (R²=0,30) e os resíduos (R²=0.58). Sendo assim, ao sofrer influência do ambiente, processos evolutivos como plasticidade, adaptação e seleção potencialmente estão subjacentes a evolução da forma do crânio. Por outro lado, processos neutros e aleatórios relacionados à deriva genética podem explicar mais a evolução da forma e do tamanho da mandíbula. Os resultados destacam a importância da avaliação da distância genética e de variáveis ambientais na evolução morfológica intraespecífica.

Palavras-chave

Roedores subterrâneos; Morfometria geométrica; 

Financiamento

CAPES e CNPq

Área

Ecologia

Autores

Thamara Santos Almeida, Renan Maestri, Bruno Busnello Kubiak, Mayara Delagnelo Medeiros, Luiza Flores Gasparetto, Thales Renato Ochotorena Freitas