X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


TÍTULO

DISTRIBUIÇAO E MANEJO DE JAVAPORCOS (SUS SCROFA) NO ESTADO DE GOIAS

Resumo

O Sus scrofa (Suiformes:Suidae) se tornou uma espécie exótica invasora após ser introduzida na América do Sul no início do século XX. Após sua introdução, deram início a procriação com porcos domésticos, resultando no javali mestiço, o javaporco. O javaporco, é dotado de alta capacidade adaptativa, além de flexibilidade alimentar, o que porporciona vantagens competitivas, favorecidas pela ausência de predadores. Transtornos causados pelos javalis variam de metros quadrados a hectares, causados por:  pisoteamento do solo, charcos (que podem causar erosões) e lesão no caule das plantas. No Cerrado, as áreas de campo sujo possuem menor proporção de solo argiloso e maior de solo arenoso, o que facitilita o ato de escavar/forragear dos javaporcos. O objetivo desse trabalho foi verificar a distribuição dos javaporcos/javalis no estado de Goiás.

Os dados utilizados pertencem ao banco de dados do IBAMA-GO, compilados através de relatórios e declarações entregues pessoalmente por manejadores durante os anos de 2013 a 2016. Os dados de 2017 e 2018 estão incompletos, por isso foram descartados. Como no banco de dados não há diferenciação entre o que é um híbrido (javaporco) e o que é um javali puro, consideramos todos como javaporcos.

Os javaporcos ocorrem em 61 dos 246 municípios goianos, (25% do estado). O município com o maior número de avistamentos foi Montividiu (2514), e com menor foi Edealina (um avistamento). O método de abate, ainda é ineficiente mediante a quantidade de indivíduos ocorrentes avistados (Correlação de spearman entre avistamentos X abate: r=0,37; p=0,49).

O estado de Goiás tem sua economia baseada nos agronegócios, logo, ter javaporcos ocorrentes em 25% do seu território é um agravante para a agricultura. Além disso, o estado está inserido no bioma Cerrado, um hotspot para a conservação, e no entanto, apenas 3,63% do estado são de áreas protegidas, algumas próximas à locais de ocorrência de javaporcos. A presença de javaporcos em unidades de conservação pode causar graves alterações em processos ecológicos, uma vez que possuem alta capacidade competitiva e não tem fatores que limitantem seu crescimento populacional.

O fato do número de avistamentos e de abate não estarem correlacionados indica que o método não tem sido executado com eficiência e as populações estão crescendo mais do que conseguem ser abatidas. O abate ainda é um método muito utilizado para conter as populações de javaporcos, no entanto depende de fatores, como ter as populações monitoradas e pessoas especializadas para o abate. Em Goiás as populações ainda não possuem monitoramento adequado, talvez essa seja a principal razão pela qual o manejo ainda precisa de ajustes.

Concluímos que os estudos com javaporco no estado de Goiás ainda são escassos, apesar de a distribuição da espécie crescer continuamente. É necessário entender os padrões de deslocamento, distribuição e os itens que os javaporcos estão consumindo. Compreender esses padrões facilita a aplicação de estratégias de manejo implementando medidas que contemplem a manutenção da biodiversidade local e a agricultura.

Palavras-chave

Cerrado, javali, espécie invasora, agricultura, impacto ambiental. 

Financiamento

Área

Ecologia

Autores

Myllena Martins, Paulo Ribeiro