X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

PADRAO DE ATIVIDADE E SEGREGAÇAO TEMPORAL ENTRE MAMIFEROS DE MEDIO E GRANDE PORTE NA MATA ATLANTICA

Resumo

Os organismos de uma comunidade diferem quanto ao seu nicho trófico, espacial e/ou temporal para coexistirem. A descrição do padrão de atividade é fundamental para compreensão do nicho temporal e nos auxilia no entendimento dos mecanismos que regulam a coexistência de espécies. Dessa forma, o presente estudo objetivou determinar o padrão de atividade e avaliar se existe segregação temporal entre mamíferos de médio e grande porte em um remanescente de Mata Atlântica de Tabuleiro no sudeste do Brasil. Para isso, foram utilizados registros obtidos por armadilhamento fotográfico, entre 2005 e 2010, na Reserva Natural Vale, norte do estado do Espírito Santo. Foram selecionados 10 táxons de mamíferos (Cuniculus paca, Dasyprocta leporina, Tapirus terrestris, Pecari tajacu, Mazama spp., Cerdocyon thous, Nasua nasua, Dasypus spp., Leopardus pardalis e Panthera onca). Os registros obtidos foram divididos em intervalos de uma hora para estabelecimento do período de atividade, o qual foi representado em diagrama de rosas. Para verificar se houve sazonalidade no número de registros e no período de atividade de cada espécie, foram utilizados os testes Qui-quadrado e Mardia-Whatson-Wheeler, respectivamente. Para avaliar se houve segregação temporal, os táxons analisados foram agrupados em quatro guildas tróficas, sendo: herbívoros de médio porte (paca e cutia), herbívoros de grande porte (anta, catitu e veado), onívoros (cachorro-do-mato, quati e tatu) e carnívoros (jaguatirica e onça-pintada), e o padrão de atividade foi posteriormente comparado com o teste de Mardia-Whatson-Wheeler. O período de atividade dos táxons analisados apresentou pouca variação quando comparado com outras localidades, demonstrando ser uma característica espécie-específica. Houve variação sazonal no número de registros obtidos, exceto para jaguatirica (χ2=0,36; g.l.=1; p=0,61) e quati (χ2=3,60; g.l.=1; p=0,06). Entretanto, ao comparar o período de atividade entre as estações, o resultado foi significativo apenas para paca (W=16,27; p<0,01), veado (W=31,62; p<0,01) e anta (W=6,22; p<0,05). Entre as guildas tróficas, herbívoros de médio porte, herbívoros de grande porte e onívoros apresentaram segregação temporal. A guilda dos carnívoros apresentou sobreposição temporal, sugerindo que o consumo de presas de tamanhos diferentes possa ser um mecanismo essencial na regulação da coexistência desses felinos. A jaguatirica não apresentou sobreposição temporal significativa com potenciais presas, enquanto a da onça-pintada sobrepôs atividade com cachorro-do-mato, jaguatirica e anta. Apesar dessa sobreposição, exceto o cachorro-do-mato foi registrado como item alimentar na dieta da onça-pintada em trabalho conduzido na área de estudo. Ressalta-se que a definição do padrão de atividade fornece informações sobre a história natural e o nicho temporal das espécies, auxiliando na compreensão das interações entre táxons que utilizam recursos similares e entre presas e predadores. Além disso, favorece o estabelecimento de ações direcionadas para a mitigação de impactos decorrentes de ações antrópicas, como a prática de caça ilegal em áreas protegidas.

Palavras-chave

Nicho temporal; guilda trófica; sazonalidade; mata de tabuleiro.

Financiamento

À Capes pela bolsa de mestrado concedida. À Vale / Instituto Ambiental Vale pelo apoio durante o desenvolvimento das atividades de campo.

Área

Ecologia

Autores

JOANA ZORZAL, Ana Carolina Srbek-Araujo, Sérgio Lucena Mendes