X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

BIOACUMULAÇAO DE METAIS PESADOS EM PEQUENOS MAMIFEROS (ROEDORES E MARSUPIAIS) EM AREAS DE REMANESCENTES DE MATA ATLANTICA E MONOCULTURA DE CANA-DE-AÇUCAR NA PARAIBA

Resumo

Metal pesado é um termo usado para designar metais e semimetais que possuem a capacidade de contaminação ambiental. Estes se tornam elementos tóxicos quando não são metabolizados pelo organismo e acumulam nos tecidos moles, já que os seres vivos são incapazes de excretá-los de forma eficaz, ocasionando bioacumulação. Os metais disseminam em larga escala no ambiente, ocasionando uma circulação destes em diferentes níveis tróficos. Animais selvagens estão naturalmente expostos a metais pesados. Eles vêm sendo utilizados para monitorar a biodisponibilidade de contaminantes de metais pesados e seus efeitos. Os mamíferos são conhecidos como indicadores de poluição, pois fornecem um alerta de efeitos adversos tóxicos nos ecossistemas inteiros. Com isso, os objetivos deste trabalho foram avaliar se existe diferença na bioacumulação de metais em pequenos mamíferos de áreas de remanescentes de Mata Atlântica e monocultura de cana-de açúcar na Paraíba, se existe diferença na bioacumulação quanto ao grupo, se existe diferença em relação à condição corporal e ao sexo entre as áreas e em relação à bioacumulação e se animais mais próximos à borda da mata apresentam bioacumulação (menor, maior, ou igual) que os encontrados no interior desta ou na cana. A área de estudo corresponde a remanescentes de Mata Atlântica e monocultura de cana-de-açúcar na Paraíba. Foram capturados 31 pequenos mamíferos na cana-de-açúcar, e 44 na Mata. As espécies estudadas foram Didelphis albiventris, Marmosa murina, Marmosa demerarae, Monodelphis domestica, Akodon cursor, Mus musculus, Calomys callosus e Necromys lasiurus. Foram removidas amostras de fígado e rim. Pb, Ni, Cr e Cd foram analisados por Espectrômetro de Absorção Atômica 240 FS AA. Para as análises estatísticas foram feitas análises de variância multifatorial e regressões lineares múltiplas para o índice relativo de condição corporal. Os resultados mostram que houve uma maior bioacumulação de metais pesados em pequenos mamíferos coletado na cana de açúcar, possivelmente devido ao uso de agrotóxicos nas plantações. Os roedores provenientes das plantações de cana de açúcar apresentaram uma maior bioacumulação de metais pesados, devido possivelmente ao fato destes animais se encontrarem quase que predominantemente ocupando estas áreas. Em relação a bioacumulação nos tecidos, o fígado foi o que apresentou as maiores bioacumulações, sendo chumbo o metal com maior quantidade no tecido ( Pb (ug_g_-1) - Roedores Cana de açúcar : 429.58+-514.11; Pb (ug_g_-1) - Marsupiais Cana de açúcar : 46.23+-41.86; Pb (ug_g_-1) - Marsupiais Mata: 79.51+-66.71), porém podemos notar que a acumulação de metais pesados ocorreu independente do tecido. Em relação às espécies estudadas, Didelphis albiventris apresentou uma maior bioacumulação de metais pesados em comparação com as outras espécies na mata, e Mus musculus apresentou uma maior bioacumulação de metais pesados em comparação às outras espécies na cana-de-açúcar. O acúmulo de metais pesados ocorreu de forma independente a distância que se encontram da borda cana/mata e ao sexo. 

Palavras-chave

Contaminação, Agroecossistemas, Mamíferos, Agrotóxicos, Biomagnificação, Didelphis albiventris, Mus musculus.

Financiamento

Área

Ecologia

Autores

LETICIA SOTO DA COSTA , PEDRO Cordeiro-Estrela