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Dados do Trabalho


TÍTULO

ANALISE ESPAÇO-TEMPORAL DOS ATROPELAMENTOS DE TAMANDUA-MIRIM TAMANDUA TETRADACTYLA (LINNAEUS, 1758) NA RODOVIA BR-101/NORTE RJ, BRASIL.

Resumo

Anualmente, milhares de animais silvestres são vítimas de colisões com veículos automotores nas rodovias brasileiras, causando impactos significativos em suas populações naturais. Tanto a sazonalidade quanto a espacialidade dos atropelamentos estão relacionados com a forma como os animais se distribuem no espaço e tempo na paisagem, sendo importantes indicadores dos períodos (hot moments) e localidades (hotspots) com maior concentração de atropelamentos. Dentro desse contexto, o tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), pertencente à Ordem Pilosa, é uma das espécies de mamíferos silvestres mais acometidas por atropelamentos em rodovias no Brasil, ainda que seja considerada uma espécie abundante de ampla distribuição. O objetivo geral deste estudo foi avaliar o uso da paisagem pelo tamandua-mirim e, de modo específico, identificar os hotspots e hot moments de atropelamentos da espécie na rodovia BR-101/Norte RJ. O estudo foi realizado a partir de monitoramentos veiculares a velocidade média de 50 km/h, percorrendo a rodovia BR-101 do km 0 (divisa entre os Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo) ao 322 (Niterói), em ambos os sentidos. Os monitoramentos foram feitos em campanhas mensais de amostragem entre 2013 e 2018. O banco de dados foi organizado mensalmente entre os anos avaliados e espacialmente, sendo os dados tratados estatisticamente nos softwares Bioestat 5.0 e Siriema v2.0. Com base nesses seis anos de monitoramento, foram registrados 62 espécimes de tamanduá-mirim atropelados. A partir dos resultados do teste t (entre verão e inverno), Kruskall-Wallis (mês-a-mês) e ANOVA (entre as quatro estações climáticas), considerando os anos como réplicas amostrais e precedidos de testes de normalidade dos dados, não foram constatadas diferenças significativas em nenhuma das análises. No que tange a espacialidade, as análises de mapeamento dos hotspots apontaram a existência de um trecho localizado entre os km 88 e 116 com agregação significativa de atropelamentos, bem como de outros dois pontos de maior agregação dispersos ao longo da rodovia, nas proximidades do km 190 e km 240. Dessa forma, a maioria dos hotspots de atropelamentos de T. tetradactyla estão localizados em trechos da rodovia que apresentam uma paisagem heterogênea e também antropizada, mas o fator em comum entre todos é que estão próximos a fragmentos florestais com pelo menos 20 hectares. Esses hotspots reforçam as evidências que há maior probabilidade de ocorrência de atropelamentos de animais no entorno de áreas de vegetação preservada, nesse sentido, destaca-se ainda que o hotspot do km 190 está situado às margens da Reserva Biológica União. Este resultado corrobora a tendência de grandes áreas de vegetação nativa abrigarem maiores populações de animais silvestres. Ressalta-se ainda que os táxons pertencentes ao grupo Xenarthra também são conhecidos por sua baixa agilidade devido ao baixo metabolismo. Portanto, esta característica do grupo também influenciaria na susceptibilidade da espécie a colisões com veículos, já que em uma paisagem fragmentada os tamanduás precisariam se deslocar por áreas abertas e ambientes antropizados para suprir suas demandas fisiológicas diárias.

Palavras-chave

Atropelamento; BR 101; Tamandua tetradactyla; Rodovia; Hotspots.

Financiamento

Área

Ecologia

Autores

Daniel dos Santos Almada, Helio Secco, Vitor Oliveira, Pablo Gonçalves, Marcello Gonçalves