X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

MAMIFEROS DO PARQUE NACIONAL DO IGUAÇU

Resumo

O Parque Nacional do Iguaçu (PARNA Iguaçu), maior remanescente florestal de Mata Atlântica no interior do Brasil forma, junto com remanescentes florestais de Misiones, Argentina, uma área com mais de um milhão de hectares. Após 80 anos de sua criação, o conhecimento sobre a sua mastofauna permanece incipiente. Nosso objetivo foi reunir e sintetizar o conhecimento sobre esse grupo, indicando a riqueza de espécies, ameaças e medidas de conservação. Os mamíferos de médio e grande porte (>1 kg) foram amostrados entre os anos de 2009 e 2016 através de armadilhamento fotográfico (camera trap) complementado com dados de visualizações ocasionais e registros indiretos. Pequenos mamíferos não voadores (<1 kg) foram amostrados em intervalos durante o período de 2010 a 2013 através de armadilhas de captura viva (Sherman e Tomahawk) e armadilhas de interceptação e queda (pitfall trap). A lista de morcegos foi elaborada por meio da análise de espécimes coletados na área urbana e rural do município de Foz do Iguaçu, no período de 2002 a 2009. Adicionalmente, para todos os grupos, foram realizadas pesquisas bibliográficas, a fim de reunir informações disponíveis sobre esta Unidade de Conservação (UC). Foram registradas 102 espécies de mamíferos silvestres para o PARNA Iguaçu e áreas próximas, incluindo três espécies exóticas (Lepus europaeus, Rattus rattus e Mus musculus). Dessas, 84 foram registradas dentro dos limites do parque. As espécies registradas pertencem a 10 ordens e 25 famílias, sendo Chiroptera a ordem com maior riqueza (36 espécies), seguida por Rodentia (21 espécies, incluindo as duas espécies exóticas) e Carnivora (17 espécies). Descata-se ainda, o registro da catita Monodelphis iheringi, ampliando sua distribuição para o oeste do estado do Paraná e, do cachorro-vinagre (Speothos venaticus), queixada (Tayassu pecari) e veado-cambuta (Mazama nana), espécies raras na Mata Atlântica. Em relação ao status de ameaça, seis espécies são consideradas ameaçadas globalmente. Em nível nacional e regional, 15 e 21 espécies estão ameaçadas, respectivamente. Em comparação com outras 16 UCs de grande porte (> 10.000 ha) da Mata Atlântica, o PARNA Iguaçu aparece como uma das mais ricas em mamíferos, pois abriga aproximadamente 25% das espécies registradas para todo o bioma (81 espécies nativas). Essa elevada riqueza e, consequentemente, sua manutenção, pode estar relacionada ao tamanho de sua área (>185 mil ha) e à conexão com o Parque Nacional Iguazu. Todavia, seu isolamento em relação a outros remanescentes de Mata Atlântica pode, a longo prazo, colocar em risco a existência de espécies de médio e grande porte, principalmente, por limitar o fluxo gênico entre populações. Outro fator importante que limita a riqueza de espécies no PARNA Iguaçu é a caça ilegal, ainda presente em toda sua extensão. Dessa forma, o isolamento e a caça ilegal são, provavelmente, as principais ameaças à persistência de muitas espécies no PARNA Iguaçu. Logo, faz-se necessário o aumento de medidas de proteção e manejo desta UC. Além disso, ampliar a pesquisa científica no PARNA Iguaçu é uma medida necessária para melhor conhecer e proteger o último grande remanescente de Mata Atlântica no interior do Brasil.

Palavras-chave

Mastofauna. Inventário. Unidade de Conservação. Florestas Ombrófila Mista. Floresta Estacional Semidecidual. Mata Atlântica. 

Financiamento

Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Hotel Belmond Cataratas. Concessonária Ecocataratas. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Coordenação e Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Área

Inventário de Espécies

Autores

Carlos Rodrigo Brocardo, Marina Xavier da Silva, Paula Ferracioli, José Flávio Cândido Jr., Gledson Vigiano Bianconi, Marcela Figuêredo Duarte Moraes, Mauro Galetti, Marcelo Passamani, Adaildo Policena, Nelio Roberto dos Reis, Peter Crawshaw Jr.