X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

CARACTERIZAÇÃO DA FAUNA ECTOPARASÍTICA DAS TRIBOS AKODONTINI E ORYZOMYINI EM UM FRAGMENTO DE MATA ATLÂNTICA, VIÇOSA, MG

Resumo

Os roedores formam o grupo com maior diversidade de espécies na classe Mammalia, sendo a subfamília Sigmodontinae a mais representativa na América do Sul. Dentre os sigmodontíneos, a maior riqueza de espécies se encontra nas tribos Oryzomyini (34 gêneros) seguida dos Akodontini (15 gêneros). Neste estudo foram avaliadas composição, riqueza e abundância da fauna ectoparasítica de seis espécies da tribo Akodontini (Akodon cursor, Bibimys labiosus, Blarinomys breviceps, Necromys lasiurus, Oxymycterus dasytrichus e Oxymycterus rufus) e quatro da tribo Oryzomyini (Cerradomys subflavus, Oligoryzomys flavescens, Oligoryzomys nigripes e Oligoryzomys sp.). Análises estatísticas foram realizadas comparando a composição e a riqueza entre esses dois grupos. Os roedores foram capturados na Estação de Pesquisa, Treinamento e Educação Ambiental Mata do Paraíso (EPTEA – MP), um fragmento de Mata Atlântica no município de Viçosa, Minas Gerais. Foram realizadas 13 campanhas bimestrais ao longo de 25 meses (outubro de 2016 – outubro de 2018), cada uma com duração de quatro noites consecutivas, totalizando um esforço amostral de 10.764 armadilhas-noite. A riqueza foi determinada pelo número de espécies de ectoparasitas encontradas em cada tribo, a abundância como o número de indivíduos de cada espécie de ectoparasita e a composição determinada pelas espécies de ectoparasitas encontradas em cada uma das tribos. O Escalonamento Multidimensional Não-Métrico (NMDS) foi utilizado para testar a dissimilaridade das tribos de hospedeiros com relação à composição da fauna ectoparasítica. A Análise de Similaridade (ANOSIM) foi utilizada para testar as diferenças entre os dois grupos amostrais e a Similaridade de Porcentagens (SIMPER) apontou a contribuição das espécies na relação de similaridade testada. Foram capturados um total de 1.974 espécimes de ectoparasitas. As famílias Laelapidae (76%) e Staphylinidae (10%) foram as mais abundantes em Akodontini, destacando as espécies Androlaelaps cf. rotundus, Mysolaelaps cf. parvispinosus e Amblyopinus sp.. Em Oryzomyini as famílias Laelapidae (94%) e Ixodidae (4%) predominaram, destacando as espécies Gigantolaelaps sp., Mysolaelaps cf. microspinosus e Ixodes loricatus. O NMDS apontou a dissimilaridade entre as tribos. A ANOSIM confirmou essa separação (p-valor = 0,0051; R= 0,66). De acordo com a SIMPER os ectoparasitas que mais contribuíram para essa dissimilaridade entre os grupos foram Gigantolaelaps sp. (42,87%) e Mysolaelaps cf. microspinosus (24,88%). O ectoparasita Amblyopinus sp. foi encontrado exclusivamente em Blarinomys breviceps e Oxymycterus rufus, ambos com hábitos semi-fossoriais, indicando uma possível associação comensal, visto que indivíduos da família Staphylinidae vivem na serapilheira e são detritívoros e/ou carnívoros, sendo a maioria deles predadores de outros insetos. O ácaro Androlaelaps cf. rotundos foi coletado somente em A. cursor e B. labiosus, essa espécie é relatada na literatura como específica da tribo Akodontini. A espécie Cerradomys subflavus apresentou 96,71% da sua fauna de ectoparasitas compostas por ácaros do gênero Gigantolaelaps, estudos apontam associações desses ácaros com os ninhos desse hospedeiro. Este estudo corroborou estudos anteriores com relação a composição da fauna ectoparasítica dessas tribos e indicou o fator espécie do hospedeiro como um dos determinantes na estrutura da comunidade desses ectoparasitas.

Palavras-chave

Ectoparasitas, Sigmodontinae, Laelapidae, Ixodidae, Staphyllinidae

Financiamento

CAPES

Área

Parasitologia/Epidemiologia

Autores

Sarah Fontes Reis, Adrielli Ribeiro Araújo, Pollyanna Alves Barros, Artur Kanadani Campos, Cláudio Lísias Mafra, Gisele Mendes Lessa