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Dados do Trabalho


TÍTULO

UM E POUCO, DOIS E BOM, TRES E DEMAIS: COMPETIÇAO ENTRE MARSUPIAIS DIDELFIDEOS NA MATA ATLANTICA

Resumo

Philander quica é uma espécie de marsupial endêmica da Mata Atlântica que ocorre em simpatria com outros marsupiais didelfídeos similares, como Didelphis aurita e Metachirus nudicaudatus. As três possuem hábitos noturnos, são solitárias e apresentam dietas semelhantes. Philander quica e D. aurita são escansoriais, já M. nudicaudatus é exclusivamente terrestre. Metachirus nudicaudatus (284-480g) e P. quica (220-910g) apresentam sobreposição de tamanho, enquanto D. aurita tende a ser maior (700-1500g). Considerando as similaridades de tamanho, hábitos e dieta entre os organismos, é esperado que haja competição entre as espécies. Assim, o objetivo do presente estudo é investigar se a variação espacial nas abundâncias dessas espécies indica uma relação competitiva. Caso indique, a previsão é de que a abundância de D. aurita e M. nudicaudatus tenham um papel negativo sobre a abundância de P. quica. Para realizar a análise, foram usados dados disponibilizados por Bovendorp et al. (2017: Ecology, 98(8), 2226-2226). Foram selecionados apenas locais com presença de pelo menos um indivíduo de P. quica para garantir que fossem incluídos apenas locais com adequabilidade ambiental para a presença da espécie. A seleção resultou em 11 estudos realizados em 22 localidades, amostradas entre os anos de 1981 e 2009, em três estados brasileiros (ES, RJ e SP). O tempo de amostragem das localidades variou de 12 a 24 meses de duração. A vegetação das áreas contempladas pelos estudos caracteriza-se como Floresta Ombrófila ou Floresta Semidecídua. A abundância representa o número total de indivíduos capturados para cada espécie durante os estudos. Foram formulados três modelos utilizando as abundâncias de D. aurita e M. nudicaudatus independentemente e combinadas como variáveis explicativas e a abundância de P. quica como variável resposta. Foi, então, aplicada a seleção de modelos por Critério de Informação de Akaike, sendo selecionados os modelos que apresentaram Δi < 2. Dois modelos foram capazes de explicar satisfatoriamente a variação na abundância de P. quica, sendo estes, o modelo que incluía apenas M. nudicaudatus, e o modelo que incluía ambas espécies M. nudicaudatus e D. aurita. Em ambos os modelos selecionados, as variáveis explicativas apresentaram correlação negativa com a abundância de P. quica, sendo a abundância de M. nudicaudatus mais importante. Além disso, P. quica foi a espécie mais rara entre as três analisadas: 41 localidades não foram incluídas na seleção de modelos porque não apresentavam P. quica, mas apresentavam D. aurita (presente em 32 dessas localidades) ou M. nudicaudatus (presente em 24). Considerando que essas áreas estão dentro da distribuição de P. quica e correspondem a fragmentos florestais, a presença da espécie seria esperada nesses locais. Os resultados, portanto, são indicativos de que há relação competitiva entre P. quica e as outras duas espécies de marsupiais. Contudo, é importante avaliar o papel das condições ambientais e variação temporal na abundância das espécies para elucidar as circunstâncias em que a competição direta ocorre de forma mais intensa.

Palavras-chave

Didelphis aurita; Metachirus nudicaudatus; Philander quica; Didelphimorphia; Abundância

Financiamento

Área

Ecologia

Autores

Fábio Azevedo Khaled, Pablo Rodrigues Gonçalves, Caryne Braga