X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

AMOSTRAGEM DE PEQUENOS MAMIFEROS NAO-VOADORES NO DOSSEL AMAZONICO: UM ESFORÇO NECESSARIO?

Resumo

Vários estudos apontam as florestas da Amazônia Ocidental como uma das regiões neotropicais de maior importância para a conservação da biodiversidade e alta prioridade para levantamentos da vida silvestre. Por outro lado, a dificuldade com logística e a complexidade estrutural do bioma, são fatores preponderantes na execução de trabalhos de campo na região. A amostragem de pequenos mamíferos não voadores em dossel, revelam-se importantes em alguns trabalhos, sobretudo para os estudos de abundância e riqueza de espécies. Poucos trabalhos com pequenos mamíferos amostram o dossel da floresta, mesmo a estratificação vertical sendo evidente em muitos grupos de animais. Este trabalho tem por objetivo avaliar o impacto do uso de armadilhas em dossel na amostragem de pequenos mamíferos não-voadores, em quatro áreas de floresta no leste do Acre. Foram amostradas quatro áreas de florestas, localizadas nos municípios de Rio Branco (fragmento com 114ha), Xapuri (área de floresta contínua), Porto Acre (fragmento com 2000ha) e Senador Guiomard (fragmento com 850ha). O desenho amostral em cada área, variou entre 5 a 10 transectos equidistantes pelo menos 500m, cada um com: 24 armadilhas de captura viva, (Sherman® e Tomahawk) distribuídas no solo (n=10), sub-bosque (n=05), dossel (n=05), além de quatro pitfalls em forma de “Y”. As armadilhas do dossel foram instaladas com auxílio de plataformas em madeira, conduzidas até o ponto de desejado por cordéis e roldanas, numa altura média de 15m, o que exigiu alta complexidade, custo e planejamento antecipado. Com um esforço de captura de 10320 armadilhas-noite, foram capturados 183 indivíduos da ordem Didelphimorphia, 54 no dossel, e 176 da ordem Rodenthia, 15 no dossel. A riqueza total foi de 26 espécies. As espécies mais abundantes, foram Proechimys gardneri (n=55) e o Marmosa demerarae (n=50). O dossel, registrou sete espécies, as mais abundantes foram: Marmosa regina (n=29) e o roedor Mesomys hispidus (n=8), porém nenhuma espécie exclusiva deste estrato florestal. Quando os resultados são analisados separadamente por área de estudo, nenhuma área teve sua diversidade afetada pela amostragem em dossel, exceto Rio Branco que teve a diminuição de uma espécie quando excluídas as capturas nesse estrato. Os resultados apontam que o uso de diferentes técnicas de armadilhamento em diferentes estratos, contribuíram para uma amostragem mais homogênea de roedores e marsupiais ao longo das quatro áreas estudadas. A técnica utilizada para amostragem no dossel, com uso de plataformas apresentou alta complexidade, desde custo de fabricação, capacitação de pessoal e efetividade de funcionamento. Sobre o impacto na diversidade e abundância de captura com essa técnica, nas duas ordens de pequenos mamíferos, o resultado não foi satisfatório. Assim sendo, os resultados das coletas aqui avaliadas sugerem três possíveis linhas de investigação: a) pequenos roedores e marsupiais das áreas em estudo, utilizam principalmente estratos florestais do solo e sub-bosque, b) Necessidade de mais estudos comparativos sobre a amostragem de pequenos mamíferos em dossel por meio do uso de plataformas e, c)  a amostragem ou não do dossel florestal deve ser ponderada a partir dos objetivos do estudo, considerando sua dificuldade, complexidade e custo de execução.

Palavras-chave

Estratificação Florestal, Amazônia, Métodos de Captura

Financiamento

CNPq, FiOCRUZ, PPBio-CENBAM

Área

Ecologia

Autores

Charle Ferreira Crisóstomo, Pedro Zanata, André Luis Moura Botelho, Camila Santos Lucio, Erick Tiago Costa Lima, Emilim Cristina Muniz Silva, Marinez Ferreira Sales, Stanley Hamilton Fidelis Pinto, San-Suan Araújo Silva, Francisco Gomes Nascimento, Jaynne Silva Nascimento, Paulo Sérgio D'Andrea