X CONGRESSO BRASILEIRO DE MASTOZOOLOGIA

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Dados do Trabalho


TÍTULO

MORCEGOS (MAMMALIA, CHIROPTERA) DA ESTAÇÃO ECOLÓGICA E DA FLORESTA ESTADUAL DE ASSIS, SUDESTE DO BRASIL

Resumo

As Estações Ecológicas (ESECs) são unidades de conservação (UC’s) integral que contemplam atividades educativas e científicas através de visitas controladas. Elas garantem o bem estar dos ecossistemas locais e regionais, visando o progresso sustentável das localidades onde estão inseridas. Florestas Estaduais (assim como as Nacionais) são Unidades de Uso Sustentável ou seja, elas permitem permanência de moradores e visam a união do uso sustentável de recursos com a preservação da natureza. Para muitas dessas unidades há lacunas de conhecimento sobre a fauna e flora, essas informações são essenciais para planos de manejo e fomentar programas extensionistas com foco em educação ambiental. Os morcegos participam de várias interações ecológicas fundamentais para o estabelecimento e manutenção desses ecossistemas. Portanto, conhecer a quiropterofauna que ocorre nestas regiões permite compreender sua dinâmica, trazendo subsídios para a conservação desses remanescentes e a realização de atividades educativas. Os objetivos deste estudo foram inventariar a quiropterofauna em duas unidades de conservação e preparar um material educativo destacando os papéis dos morcegos na dinâmica dos ecossistemas locais. A Floresta Estadual de Assis (FEA) e a Estação Ecológica de Assis (EEA), ambas são adjacentes. A EEA possui uma área de 1.760,64 ha, exibe formação vegetal predominante de cerradão, cerrado strictu sensu, tipos vegetacionais ripários e áreas de transição para a floresta estacional semidecidual. A FEA possui 2.816,42 ha, com influência de espécies vegetais exóticas. Foram realizadas de uma a duas capturas mensais entre janeiro de 2012 a dezembro de 2012, totalizando 18 noites. Os morcegos foram acondicionados em sacos de pano, triados, identificados e soltos no mesmo local. Foram capturados 112 espécimes, ao longo de três famílias e 14 espécies com esforço amostral de 14.580 h.m². A família Phyllostomidae foi representada por Desmodus rotundus (n = 5; 4,5%), Anoura caudifer (n = 7; 6,2%), Glossophaga soricina (n = 38; 34%), Carollia perspicillata (n = 18; 16%), Artibeus lituratus (n = 15; 13,4%), Platyrrhinus lineatus (n = 4; 3,6%) e Sturnira lilium (n = 9; 8%). Já Molossidae, Molossops temminckii (n = 1; 0,9%) e Nyctinomops laticaudatus (n = 1; 0,9%) e Vespertilionidae, Eptesicus diminutus (n = 1; 0,9%), Eptesicus furinalis (n = 2; 1,8%), Myotis albescens (n = 6; 5,3%), Myotis nigricans (n = 3; 2,7%) e Myotis riparius (n = 2; 1,8%). A alta representatividade de espécies insetívoras (50%) pode estar ligada a abundância de insetos e abrigos nesses ambientes. As maiores frequências de capturas em G. soricina, C. perspicillata e A. lituratus parecem estar relacionadas com a abundância de plantas dos gêneros Ficus, Solanum e Piper, consumidas por esses morcegos no Brasil. A presença de D. rotundus pode ser um indicador de baixo índice de perturbação nessas áreas. Esses resultados evidenciam a importância da FEA e EEA para a comunidade de morcegos e ressaltam a importância de inventários em áreas de conservação. A partir desses resultados, é possível apresentar de forma lúdica (usando figuras em cartazes colocados nas áreas estudadas, em escolas e locais públicos) tanto as espécies ocorrentes, quanto os processos ecológicos envolvidos.

Palavras-chave

Cerrado, inventário, Phyllostomidae, Vespertilionidae. 

Financiamento

 Urbieta, G.L. agradece a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paríba pela bolsa de doutorado concedida (FAPESQ - nº 518/18). 

Área

Inventário de Espécies

Autores

Maria Stela Marrelli Caldas Leite Lucas, Gustavo Lima Urbieta, Maiara Jaloretto Barreiro, Valeria da Cunha Tavares